Apresentação

O Forlibi surgiu da necessidade de unir as línguas brasileiras de imigração com o objetivo de instaurar um diálogo permanente entre estas comunidades linguísticas, e se propõe a ser um espaço de pesquisa, mediação e articulação política em variadas frentes para o fortalecimento das mesmas. Reunindo falantes e representantes das línguas de imigração e de instituições parceiras, tem como propósito delinear ações coletivas para a promoção das línguas nas políticas públicas em nível nacional.

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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

IPOL lança o livro “Receitas da Imigração”

Foto: Peter Lorenzo
Acaba de sair do forno nossa mais nova publicação: o livro “Receitas da Imigração”, resultado final do Projeto Receitas da Imigração – Língua e Memória na Preservação da Arte Culinária (ver blog aqui), realizado através de Convênio com o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O livro ora lançado pelo IPOL é uma edição plurilíngue – em português e em línguas de imigração – contemplando, além de receitas culinárias trazidas, transformadas e realizadas pelas comunidades de imigrantes, também memórias e histórias da adaptação dessas populações na Região do Médio Vale do Itajaí, em Santa Catarina, no sul do Brasil.

Produzida a oito mãos: Ana Paula Seiffert, Mariela F. da Silveira, Peter Lorenzo e Rosângela Morello, a publicação sai pela Editora Garapuvu e conta também com a inestimável participação de falantes das línguas de imigração que compartilharam nas entrevistas do Projeto, além de receitas consideradas fundamentais no estabelecimento dos imigrantes na Região, também um pouco da história de vida das famílias.

O material, com textos em português e receitas traduzidas nas línguas de imigração faladas na região abarcada pela pesquisa, a saber, variedades de alemão, polonês e italiano do Vale do Itajaí, será inicialmente distribuído gratuitamente às comunidades envolvidas e aos parceiros. Caso um membro da comunidade linguística, professor ou pesquisador queira receber um exemplar, é preciso entrar em contato pelo e-mail ipol.secretaria@gmail.com, solicitando o envio. As despesas de correio são por conta do solicitante.

Está prevista, ainda, para fevereiro de 2016, uma cerimônia de lançamento com mesa-redonda que abordará o processo de pesquisa e de construção do material, além dos resultados alcançados. Em breve será divulgado o convite com todas as informações necessárias sobre o evento, o qual ocorrerá na Região do Médio Vale do Itajaí. Confira mais abaixo o sumário da publicação.

Dando continuidade a esse trabalho, a equipe do IPOL executa outro projeto para aprofundar as discussões realizadas no Receitas da Imigração: Receitas da Memória, os sabores da imigração em Documentário, também através de convênio com o IPHAN. Essa parceria prevê a realização de um documentário abordando o caminho de sabores e memórias da imigração no Estado de Santa Catarina, apresentando ao público a história de imigrantes e suas referências identitárias.

E, mais recentemente, com objetivo específico de promover a discussão local sobre políticas públicas de fomento e salvaguarda de línguas como  patrimônio imaterial, sob a orientação dos preceitos da educação patrimonial,  foi aprovado o projeto: Línguas de Imigração como Patrimônio: (Re)conhecendo a Diversidade Linguística no Sabor da Herança Culinária. A iniciativa será fomentada por meio do Prêmio Elisabeth Anderle de estímulo à  Cultura – 2014, contemplando a execução de oficinas com o objetivo de discutir e refletir com as comunidades  linguísticas abarcadas o lugar das línguas de imigração, na comunidade e na política nacional de salvaguarda. O público-alvo previsto contempla gestores locais (representantes de Secretaria de Cultura, Secretaria de Educação, representantes de associações, professores, lideranças locais e a comunidade em geral e as oficinas serão realizadas no município de Blumenau durante o ano de 2016. Em breve o cronograma completo será divulgado.

Foto: Peter Lorenzo
Ficha Técnica
Receitas da Imigração
Ana Paula Seiffert,
Mariela Felisbino da Silveira,
Peter Lorenzo e
Rosângela Morello
Florianópolis: IPOL : Editora Garapuvu, 2015. 104p.
ISBN – 978-85-86966-85-9


Sumário da Publicação
Apresentação
Prefácio
Introdução
Capítulo 1 – Memória & História
Coração de boi recheado | Gefülltes Rinderherz | Nadziewane serca wołu | Cuore di manzo ripieno – Petronília Baader
Experimente também!
Capítulo 2 – As imigrações
Sopa de vagem | Zupa z zielonej fasolki | Zupa di fagiolino | Grüne Bohnen Suppe – Vendolin, Verônica e Helena Malkowsky
Experimente também!
Capítulo 3 – Identidades
Broa de cará na folha de bananeira | Brot aus Cará und Süßkartoffeln | Pane di cará e patata dolce | Chleb z “cará” i słodkie ziemniaki – Rovena Knoop
Experimente também!
Capítulo 4 – História das adaptações
Chuchu na manteiga queimada | Chuchu in gebräunter Butter | Kolczoch jadalny w palonego masła | Chuchu nel burro bruciato – Edith Manke
Experimente também!
Capítulo 5 – Territorialidade e estabelecimento de redes
Nhoque de colher | Nhoque di cucchiaio | Löffelgnochi | Gnocchi – Vilma Ida e Osório Vicenzi
Experimente também!
Capítulo 6 – Redes de sociabilidade e solidariedade
Minestra | Minestra | Minestra | Minestra – Matilde e Hercílio Bertoldi
Experimente também!
Capítulo 7 – Usos e representações das línguas de imigração
Pagibroda | Pagibroda | Pagibroda | Pagibroda – Helena Tarnowsky
Experimente também!
Capítulo 8 – Papel das instituições e festividades na manutenção
de práticas culturais e linguísticas
Polenta com fortaiote | Polenta + fortaiote | Polenta + fortaiote | Polenta + fortaiote – Oliva e Mario DaRui
Experimente também!
Capítulo 9 – Força de trabalho e o papel da mulher
Pudim de banana | Bananenpudding | Budyń bananowy | Budino di banana – Hannah Lohre Dahlke
Experimente também!
Capítulo 10 – Futuro das receitas, das línguas
Repolho recheado | Cavolo ripieno | Gefüllter Weißkohl | Gołąbki – Amélia Campestrini
Experimente também!
Considerações Finais
Notas
Referências

Leia também:

Fonte: e-IPOL

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Lançado o livro "Fá d’ambô: herança da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial"

Lançado o livro "Fá d’ambô: herança da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial"

Rosângela Morello e Gilvan Müller de Oliveira
Em 15 de outubro de 2014, durante o Colóquio A Língua Portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI, realizado em Belo Horizonte no Campus II do CEFET de Minas Gerais, foi lançado o livro Fá d’ambô: herança da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial. 

O livro assinado por Armando Zamora Segorbe (Linguista e professor da Universidade Nacional da Guiné Equatorial), Gilvan Müller de Oliveira (Linguista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina) e Rosângela Morello (Linguista e Coordenadora Geral do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística) é resultado de pesquisas realizadas em campo, em 2012, como parte de um protocolo de cooperação entre o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e o Governo da Guiné Equatorial.  As temáticas abordadas pelos autores promovem uma visibilização das relações histórico-culturais do fá d’ambô com a língua portuguesa na Guiné Equatorial e situam questões para a gestão dessas e outras línguas no país.  A publicação do livro dialoga, ainda, com as ações em torno da promoção da língua portuguesa no país decorrente de sua oficialização ocorrida no final de 2011. Conforme Oliveira, a Guiné Equatorial é hoje o único país do mundo cujos idiomas oficiais são as três grandes línguas românicas (o espanhol, o francês e o português). 

A República da Guiné Equatorial, que desde julho de 2014 faz parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), situa-se no oeste da África Central e seu território é constituído por províncias continentais e insulares. Dentre as províncias insulares da Guine Equatorial encontra-se a ilha de Ano Bom, onde atracaram os portugueses em 1471, período das grandes navegações, deixando nesse lugar sua herança linguística hoje verificada no fá d’ambô, crioulo de base lexical portuguesa. 

O livro expõe um breve panorama histórico da ilha de Ano Bom em sua relação com a língua portuguesa, situa a história do fá d’ambô, descreve diversos aspectos linguísticos da ‘língua annobonesa’, nas palavras de Segorbe, bem como analisa o fá d’ambô no contexto plurilíngue da Guiné Equatorial a partir de dados coletados por meio de um intenso trabalho em campo realizado segundo a metodologia de diagnósticos linguísticos e sociolinguísticos. As pesquisas de campo foram desenvolvidas em março de 2012 em Malabo (capital do país) e entorno entre comunidades annobonesas e na pequena ilha de Ano Bom, sob a coordenação da Profa. Dra. Rosângela Morello.

Conforme as palavras de Oliveira, então Diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, o livro contribui para “a compreensão das regiões onde o português é usado, ou onde fenômenos linguísticos que tiveram sua origem no português ocorrem”.

Em entrevista realizada com Morello por ocasião do lançamento do livro, a autora relaciona o crescimento de interesse pela língua portuguesa com a renovação de pesquisas sobre os crioulos de base lexical portuguesa: “Esperamos que esse livro possa continuar dando abertura para a reflexão sobre o que é a Língua Portuguesa no mundo. Compreendemos que tem havido um crescimento no interesse do Brasil pelos demais países africanos, onde a língua portuguesa também é falada. Espero que esse livro possa subsidiar novas pesquisas e esse trabalho possa gerar novos interesses”. 

O livro foi publicado pelo IILP com aporte do Programa de Apoio às Iniciativas Culturais dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PAIC-PALOP) dos Fundos ACP (África-Caraíba-Pacífico) e, principalmente, com a contribuição do Governo da Guiné Equatorial.

Fonte: e-Ipol.org

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Tese de doutorado investiga variedades dialetais do italiano como línguas de imigração no nordeste do RS

Processos de territorialização de variedades dialetais do italiano como línguas de imigração no nordeste do Rio Grande do Sul

Fonte: PINHEIRO, 2014 (clique na imagem para ampliar)
A tese de doutorado intitulada Processos de territorialização de variedades dialetais do italiano como línguas de imigração no nordeste do Rio Grande do Sul foi recentemente defendida por Luciana Santos Pinheiro, aluna do Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob a orientação do Prof. Dr. Cléo Vilson Altenhofen.

Confira abaixo o resumo da tese.

RESUMO

A presente pesquisa contribui com os estudos de plurilinguismo e contatos linguísticos, enfocando as relações entre língua e espaço pluridimensional. Seu tema são os processos de territorialização do italiano como língua de imigração na Região de Colonização Italiana no Nordeste do Rio Grande do Sul (RCI). Com base em um corpus organizado e disponibilizado por Frosi & Mioranza (1975; 1983), e complementado por dados de acervos diversos, pretende-se 1) mapear a diversidade dialetal dos imigrantes italianos que colonizaram a RCI, reconstruindo desta forma o estado de multilinguismo que provavelmente configurou a situação original da fase de bilinguismo italiano-português, e 2) descrever, a partir da interpretação dos mapas elaborados, os processos a) de territorialização (arealização [força centrífuga, de expansão] e insulamento [força centrípeta, de recolhimento]), b) coineização e c) manutenção ou substituição de variedades dialetais no espaço multilíngue considerado. Tal propósito serve de base para uma série de estudos futuros, porque lança luz sobre a situação linguística das antigas colônias (colônias matriciais, al. Mutterkolonien) de onde as línguas de imigração italiana, sobretudo da coiné vêneto-sul-rio-grandense, se difundiram para colônias novas (colônias filiais, al. Tochterkolonien) no norte e noroeste rio-grandense, centro e oeste catarinense, sudoeste paranaense, bem como em áreas novas do centro-oeste, ou mesmo transpondo as fronteiras em direção a Misiones (Argentina) e Paraguai. Ao mesmo tempo, o estudo contribui para preencher lacunas nos censos demográficos brasileiros. Apesar de alguns esforços localizados de recenseamento, esses não dão conta da identificação, quantificação e distribuição da diversidade linguística brasileira, como reconhece o decreto nº 7.387, de 9 de dezembro de 2010, ao instituir o Inventário Nacional da Diversidade Linguística. Por outro lado, a compreensão dos processos de ocupação do espaço por populações exógenas e o papel da língua nesse processo representa para a pesquisa do plurilinguismo e dos contatos linguísticos uma contribuição de grande relevância. Para a análise das correlações entre língua e espaço, utilizamos como parâmetro de correlações, as variáveis apontadas por Altenhofen (2014 [no prelo]) como relevantes na descrição de territorialidades e processos de territorialização de línguas, variedades e comunidades de falantes. Incluem-se entre as variáveis observadas as correlações entre espaço e tempo, fronteiras, origem sociocultural, idade da localidade, diversidade étnica local, grau de isolamento e de urbanização, vias de comunicação e de migrações, além de configurações geográficas de ordem física. Como desafios para a cartografia da variação e diversidade linguística coloca-se a necessidade da elaboração de mapas em série, como sugere Thun (2010). Esse procedimento permite uma macroanálise dinâmica das relações sociais e linguísticas no espaço pluridimensional, e não mais estática, como ocorria na dialetologia tradicional. Os resultados mostram a relevância dessas correlações não apenas no mapeamento das áreas de plurilinguismo, mas também na compreensão da dinâmica de ocupação do espaço.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Revista Talian Brasil

Revista Talian Brasil

A revista Talian Brasil é escrita em talian e em português. A primeira edição da revista foi lançada em março de 2013 e atualmente já possui mais de 10 edições publicadas. Algumas delas podem ser visualizadas no site da revista. 

Para maiores informações sobre a publicação, além do site, consulte também sua página no Facebook.

domingo, 18 de maio de 2014

Livros Cantando in Talian são lançados na Itália

Cantando in Talian, de Giorgia Miazzo

Clique na imagem para ampliar

Na próxima quinta-feira, 22 maio às 20:45, na cidade de Caldogno (Vicenza), Itália, na "Sala Nobile" de "Villa Caldogno", Giorgia Miazzo fará uma apresentação de seu projeto e publicações Cantando in Talian, dois livros sobre a emigração da região do Vêneto para o Brasil. Um dos livros é histórico e de pesquisa ao passo que o outro é didático para a aprendizagem da língua taliana mediante a música. A noite vai ser acompanhada de dança, música ao vivo e poesia. Entrada gratuita.

Viste o site da autora aqui e obtenha mais informações sobre o livro aqui.

sábado, 17 de maio de 2014

Dissertação descreve processos envolvidos na variação e constituição da língua brasileira de imigração alemã vestfaliano

Variação e contatos linguísticos do vestfaliano rio-grandense 

A dissertação de mestrado intitulada Variação e contatos linguísticos do vestfaliano rio-grandense falado no Vale do Taquari foi recentemente defendida por Aline Horst, aluna do Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob a orientação do Prof. Dr. Cléo Vilson Altenhofen.

Confira abaixo o resumo da dissertação.

RESUMO
A presente Dissertação apresenta as etapas e os resultados de uma pesquisa que objetiva descrever os processos envolvidos na variação e constituição da língua brasileira de imigração alemã vestfaliano (We, também conhecida como sapato-de-pau, Plattdüütsch), identificando aspectos de sua configuração linguística e as territorialidades de uso e manutenção dessa língua em um contexto de plurilinguismo e de contato com variedades do português (Pt) e do alemão (Dt - Deutsch), sobretudo do Hunsrückisch (Hrs), alemão-standard (StDt, Standarddeutsch) e Hochdeutsch local (Hdt), no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, Brasil. Trata-se de uma área linguística bem delimitada que engloba as localidades situadas em Westfália, Teutônia, Colinas e Imigrante. Para a realização do estudo, seguiu-se a metodologia do projeto ALMA-H (Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata: Hunsrückisch), que se orienta pelos pressupostos da dialetologia pluridimensional e relacional, conforme Thun (1998). Esse modelo fundamenta-se na análise da variação linguística em diferentes dimensões (princípio da pluridimensionalidade) que combinam tempo (mudança linguística), espaço (migrações e territorialidades) e sociedade (diferentes segmentos sociais). No presente estudo, realizaram-se entrevistas com 31 falantes bilíngues Pt/We das quatro comunidades, distribuídos em quatro grupos, conforme a idade (geração velha, GII, e jovem, GI – dimensão diageracional) e o nível sócio-cultural (escolaridade básica ou superior, respectivamente Cb e Ca – dimensão diastrática). Foi, para tanto, utilizada uma versão simplificada do questionário do ALMA-H, adaptada ao We. Os resultados apontam uma pequena redução de marcas do vestfaliano nos dados das gerações mais novas (GI), especialmente de Teutônia (CbGI) e Colinas (CaGI e CbGI). Essa tendência não pode, no entanto, ser relacionada ao nível sócio-cultural (Ca e Cb), mas aos contatos e à mobilidade dos informantes. As marcas dialetais ainda presentes na fala dos informantes das localidades do Vale do Taquari permitem reconhecer semelhanças com o vestfaliano falado nas proximidades de Hasbergen, região de Tecklenburg e Osnabrück, na Alemanha (região de origem dos imigrantes), como mostram dados do Digitaler Wenker-Atlas (DiWA). A análise das territorialidades de uso do vestfaliano, adicionalmente à descrição do grau de presença de marcas dessa variedade nos diferentes grupos de fala, releva o papel da família como principal fonte de input dos falantes da variedade vestfaliana em todas as gerações, já que nos espaços públicos prevalecem outras variedades em contato, sobretudo Pt e Hdt e, em menor escala, Hrs. Esta situação traz consigo uma gradativa substituição da língua minoritária We pelo português, influenciada principalmente pela escola. Nas gerações mais velhas e/ou com maior nível de instrução, os dados apontam uma presença maior do StDt e do Hdt, variedade esta muito próxima ao StDt e comum entre alguns falantes das localidades. Por fim, não se pode ignorar a influência da religião na propagação de marcas do alemão (sobretudo Hdt), lembrando que todos os informantes da pesquisa são evangélicos luteranos (IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) e, especialmente os das gerações mais velhas, que frequentaram o ensino confirmatório em língua alemã ou tiveram contato com textos escritos em StDt.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Brasil e Suíça se encontram em uma “Têra Novala”

Um livro “poliglota” editado por um ex-funcionário do Banco Central do Brasil procura manter viva a história e a linguagem de uma época.
 
A autora "Titi", Anne-Marie Yerli, autografa seu livro "poliglota". 
A autora "Titi", Anne-Marie Yerli, autografa seu livro "poliglota". 

 Têra Novala”, Terra Nova em dialeto da região de Gruyère, conta a aventura de emigrantes suíços ao Brasil em 1819, em várias línguas e dialetos. O livro é uma aula de história e de francês, alemão, português e dialetos da Suíça.
A obra é fruto de uma amizade sem fronteiras e o tema um assunto cada vez mais da atualidade, essa é a impressão que se tem ao folhear a obra da suíça Anne-Marie Yerly, traduzida por Alberto Wermelinger e Daniel Folly, que põe em cena o destino de 3 famílias suíças que partem ao Brasil, em 1819.

Apresentado em grande estilo com cantos do coral “Lè Tserdziniolè” e muitos discursos em vários idiomas e dialetos, o livro também faz uma homenagem ao folclore e às tradições de uma região: a Gruyère, terra do famoso queijo e de muitos ancestrais de brasileiros.

Vestido em trajes típicos da região, o brasileiro Alberto L. A. Wermelinger Monnerat, editor da obra, apresenta o resultado de sua paixão pela história da emigração suíça ao Brasil e da solidariedade de dois povos.

Na ocasião também foi apresentado o projeto “Rural Legal”, que pretende, com o benefício da venda do livro, dinamizar a economia de uma das regiões de Nova Friburgo mais afetadas pela tempestade do começo do ano, com propostas de capacitação do pessoal atingido na cadeia econômica do turismo.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

As marcas da repressão lingüística contra imigrantes durante o Estado Novo

O talian, entre outras línguas de imigração do Brasil, foi fortemente combatido pela Campanha de Nacionalização do Ensino Primário, durante o Estado Novo (1937-1945). Nesse período, falantes de talian das regiões brasileiras que receberam imigrantes eram perseguidos e militarmente punidos por utilizarem sua língua materna. Essa repressão tinha origens nacionalistas: visava a “unificação lingüística” do país, com base no ensino de português como língua oficial e nacional do Brasil e no combate às línguas maternas, à cultura e aos costumes dos imigrantes e seus descendentes. O efeito dessa política de opressão lingüística é ponto central para a compreensão da atual atitude lingüística de falantes de talian e para a compreensão da perda lingüística que sofreu o Brasil, em especial o Sul, em nome da orientação ditatorial Revista Língua & Literatura para o monolingüismo. A opressão às línguas de imigração se iniciou nas escolas, ambiente social no qual crianças vivenciavam as práticas pedagógicas em sua língua materna (nas línguas herdadas de
seus ascendentes). 

Nesses ambientes, a brasilização tornou obrigatório o ensino do Português, assim como o de História e Geografia do Brasil e o de Educação Moral e Cívica, na mesma marcha em que proibia as línguas e as manifestações culturais que considerava estrangeiras. A essa época, com a violenta proibição do uso da língua ‘estrangeira’ nas escolas, nos serviços públicos e militares e até mesmo nas lápides e nas práticas religiosas, a campanha de nacionalização já havia criado nos imigrantes e descendentes a atitude lingüística que em pouco tempo acarretaria a perda do espaço político-cultural e social que suas línguas possuíam na região de colonização. 

  

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Imigração Italiana no Vale do Paraíba

Os italianos em Quiririm e minhas memórias’ está na 3ª edição Foto Divulgação
A história dos italianos em Quiririm é contada nas 243 páginas do livro “Os italianos em Quiririm e minhas memórias”, de José Indiani.

A história dos italianos em Quiririm é contada nas 243 páginas do livro “Os italianos em Quiririm e minhas memórias”, de José Indiani. 
Aos 81 anos, o seu Zé I, como é carinhosamente chamado na região, comemora a 3ª edição de seu livro, escrito em 2007.
“A cada nova edição sempre acrescento mais informações das quais vou me lembrando com o tempo”. 
Em sua obra, descreve as cenas de sua infância e juventude bem como os fatos narrados por seus pais e tios sobre a chegada de seus conterrâneos a Taubaté, em outubro de 1892. 
“Conto desde quando meus pais desembarcaram no porto de Santos e foram para Taubaté, trabalhar na lavoura de café, da Fazenda do Barreiro”.
O pano de fundo dessa história familiar é a busca dos europeus por melhores condições de vida na América, especialmente, no Brasil - onde a imigração foi favorecida pela necessidade de mão de obra para a produção cafeeira e pela política de subsídios do governo paulista no final do século 19.
Segundo ele, aqueles não foram tempos fáceis. Os italianos não se adaptaram ao cultivo do café e enfrentaram inúmeras dificuldades.
“Eles saíram de Taubaté, vieram desbravar as matas de Quiririm e tiveram que aprender a plantar arroz”, contou o autor.
Em “Os italianos em Quiririm e minhas memórias”, o leitor é convidado a compartilhar as recordações de seu Zé I, como o início do namoro com sua esposa, dona Nely. 

Legado. Último descendente direto de imigrantes na região, seu Zé I tem muita história para contar. 
Nascido em 1931 em um sobrado, em Quiririm, Indiani se orgulha do legado deixado por seus antepassados. 
“Os italianos trouxeram muito trabalho e desenvolvimento para o Estado. Se não fossem os italianos...”
E é justamente esse legado que ele não quer que seja esquecido. “Escrevi esse livro para não deixar morrer a história dos italianos na região”, disse o autor, que já foi agricultor e hoje é funcionário aposentado pela Prefeitura de Taubaté. 
Seu Zé I destaca ainda o intercâmbio cultural entre Brasil e Itália como vantagem da imigração. “A alimentação, o vestuário e modo de viver das duas nações era muito diferente. Um aprendeu com o outro”. 

Mais. O sobrado em que seu Zé I nasceu, hoje abriga o Circolo Italiano Di Taubaté/ Museu da Imigração Italiana, responsável por promover a valorização da cultura italiana. Mais informações sobre o livro: (12) 3686-3340. 

Fonte: O Vale

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Livro resgata os 180 anos da imigração alemã no Paraná


1º Lançamento da Obra em Marechal Cândido Rondon 
 A historiografia paranaense acaba de ganhar um importante título que resgata, de forma inédita, a trajetória de um povo que teve participação decisiva na ocupação e desenvolvimento de várias regiões do Estado do Paraná. Escrita de forma conjunta por sete autores, “Imigração Alemã no Paraná – 180 anos: 1829 – 2009” é uma das principais publicações já produzidas sobre o tema da colonização do Estado e passa a ser obra de referência a respeito da história do Paraná.
A obra nasceu a partir das comemorações de 180 anos da imigração alemã no Paraná, que se estenderam ao longo de 2009. Grande parte das celebrações foi apoiada e coordenada pela Comissão de Festejos dos 180 Anos da Imigração Alemã no Paraná, cujo calendário de eventos comemorativos iniciou em 19 de fevereiro daquele ano com a maior sessão solene já realizada na Assembleia Legislativa do Paraná, que contou com a presença de autoridades brasileiras e alemãs, entre demais convidados. Diante de tamanho entusiasmo e repercussão, surgiu a proposta de publicar o livro, que agora está sendo lançado, cuja organização é de Harto Viteck, que foi o secretário executivo da Comissão de Festejos.
A publicação, com cerca de 400 páginas, está dividida em sete capítulos principais. As professoras Divinamir de Oliveira Pinto e Marli Uhlmann Portes escreveram sobre “Rio Negro: o berço da colonização alemã no Paraná”, no qual relatam a vinda dos imigrantes alemães originários da região de Trier e aldeias vizinhas, que embarcaram em junho de 1828 da Europa rumo ao Paraná, onde se estabeleceram nas terras férteis do vale do rio Negro.
O professor Marlon Ronald Fluck assina o capítulo “O núcleo alemão em Curitiba”, que começou a se desenvolver em 1833 com  alemães saídos da Colônia Dona Francisca (atual região de Joinville) e imigrantes alemães vindos da Europa. Ele se distingue dos demais núcleos do Estado por ocorrer no espaço urbano e por ser uma colonização espontânea, não oficial.
“Teuto-russos e sua história: da esperança à decepção” é o título do capítulo desenvolvido pelo professor Estevão Müller, no qual retrata as perseguições sofridas pelos povos de descendência alemã na Rússia, o que motivou a vinda para o Brasil, onde o imperador D. Pedro II decidiu recebê-los, garantindo a naturalização plena e apoio para a instalação das colônias de imigrantes, inclusive no Paraná. O mesmo autor também escreveu sobre “A história dos bucovinos no Paraná”, alemães que emigraram da Bucovina, região leste da Romênia, para a cidade de Rio Negro a partir de 1887, quando também passaram a ocupar outros espaços, como na cidade da Lapa.
“Menonitas alemães no Paraná” é o assunto desenvolvido pelo historiador Alfred Pauls. Os menonitas, que têm suas origens no movimento da Reforma Protestante da Igreja, no século XVI, na Europa, fugiram da Rússia nas primeiras décadas do século XX., por causa do regime violento de perseguições  imposto pela Revolução Comunista. No Paraná, os primeiros menonitas chegaram a partir de 1933, quando adquiriram a Fazenda Cancela, em Palmeira, onde criaram a famosa Colônia Witmarsum. Mais tarde famílias menonitas  também se estabeleceram em Curitiba e Ponta Grossa.
A professora Cláudia Portellinha Schwenberger é a autora do capítulo que trata dos “Pioneiros alemães em Rolândia”, que começaram a chegar à cidade em 1932, em um processo que foi intensificado a partir do ano seguinte, quando muitos alemães imigraram da Europa, temendo a ascensão de Hitler e a perseguição nazista contra políticos, católicos e judeus e demais cidadãos que não apoiassem o regime.
O professor Marcos Nestor Stein assina o capítulo “A Colônia Entre Rios no município de Guarapuava”, surgida em 1951, resultado do processo da diáspora ocorrido nos núcleos alemães do Leste Europeu após o final da Segunda Guerra Mundial, quando 500 famílias de refugiados, posteriormente designados de Suábios do Danúbio, vieram ao Paraná.
O último capítulo também leva a assinatura do professor Marcos Nestor Stein, em parceria com o professor Valdir Gregory. O tema por eles desenvolvido é “Migrações e germanidade: Oeste do Paraná e Marechal Cândido Rondon”. O tópico traz narrativas e discussões a respeito do povoamento desta região do Estado a partir da década de 1950, época em que diversas madeireiras e colonizadoras atuaram nesse território, estimulando a vinda do Rio Grande do Sul e Santa Catarina de migrantes descendentes de alemães.
Conforme Harto Viteck, além de marcar a passagem da data histórica, tem a tarefa de ser um referencial para que as gerações atuais e vindouras conheçam e reverenciem a memória dos antepassados, que produziram, junto com outras valorosas etnias, as transformações profundas que fazem do Paraná um dos Estados mais importantes do país.
Nesse sentido, o organizador acredita que a obra estimula ainda a reflexão e propõe um desafio. “Esperamos que a história contada neste livro sirva de exemplo e ação missionária. Se os nossos antepassados conseguiram superar grandes obstáculos e realizar tanto com tão pouco, o que podemos nós fazer de bem a nós mesmos e em favor da humanidade, tendo as facilidades da tecnologia tão avançada de hoje?”, questiona.
A publicação foi financiada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Souza Cruz, Copel e Caminhos do Paraná, numa realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal, com apoio da Quixote Art & Eventos e da Editora Germânica. A obra, que não está sendo comercializada, é destinada à instituições de ensino e pesquisa, bibliotecas, museus, autoridades e órgãos de imprensa.
Para saber mais sobre o projeto, acesse o site www.imigracaoalemanoparana.com.br
Lançamento do livro “Imigração Alemã no Paraná – 180 anos: 1829 – 2009”
09/11 - 20 horas - Marechal Cândido Rondon - Casa Gasa
19/11 - 19h30m - Curitiba - Goethe Institut
20/11 - 20 horas - Rio Negro - sede social da OAB-Rio Negro
21/11 - 20 horas - Lapa - Teatro São João
28/11- 20 horas - Rolândia - Jugendheim (Igreja Luterana)
(*) Os lançamentos na Colônia Entre Rios (Guarapuava) e Colônia Witmarsum (Palmeira) ainda serão agendadas.
 Fonte: O Presente