Apresentação

O Forlibi surgiu da necessidade de unir as línguas brasileiras de imigração com o objetivo de instaurar um diálogo permanente entre estas comunidades linguísticas, e se propõe a ser um espaço de pesquisa, mediação e articulação política em variadas frentes para o fortalecimento das mesmas. Reunindo falantes e representantes das línguas de imigração e de instituições parceiras, tem como propósito delinear ações coletivas para a promoção das línguas nas políticas públicas em nível nacional.

Mostrando postagens com marcador Talian. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Talian. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Bento Gonçalves-RS sediou o 19º Encontro dos Difusores do Talian e V Fórum da Língua Talian

Nos dias 13, 14 e 15 de novembro de 2015, o município de Bento Gonçalves sediou a 19ª edição do Encontro Nacional dos Difusores do Talian e V Fórum Brasileiro da Língua Talian. Os eventos foram promovidos pela Associação dos Difusores do Talian (ASSODITA) e pela Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul (FIBRA/RS) e reuniram entidades italianas, radialistas e difusores do Brasil.

Na sexta-feira, 13, as palestras foram proferidas por Ana Paula Seiffert, do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística – Florianópolis – SC; e José Clemente Posenato - da Universidade de Caxias do Sul – RS.

O sábado, 14 de novembro, teve a participação de diversos profissionais: 
- Talian come se scrive e se parla.  Darcy Loss Luzzatto - Pinto Bandeira – RS,   Júlio Posenato – Porto Alegre – RS.
- Talian ensino na rede privada  Aladir Ferro – Serafina Corrêa – RS.
- Talian Língua Cooficial ao Português – Experiência Municipal,  Morgana Rech – Serafina Corrêa – RS.
- Talian na Diversidade Linguística Nacional, Paulo Massolini – Pres. FIBRA  -Língua Talian como Comunicação. Representando (AGERT) Roberto Cervo – Porto Alegre – RS.
- O Jovem e a Língua Talian,  Alex Eberle – Flores da Cunha – RS.
- Diversidade Linguística e Governo, João Tonus – Caxias do Sul.
- Lançamento do livro “Croniche de un Talian”

20:30 - JANTAR FESTIVO    
- SECONDA NOTE VÈNETA.
- ENTREGA TROFÉU E DIPLOMA MÈRITO TALIAN E 140 ANOS DA IMIGRAÇÃO ITALIANA.
- BAILE COM MUSICAL GIRAMONDO.
- Local: Sociedade Educativa Barracão.

No dia 15 (domingo):
09:00H - Fé e religiosidade Dei Nostri Taliani – Ato Religioso com Pe Alberto Treméa
- Temas livres
- Microfone aberto.
- Meios de Comunicação e Site da ASSODITA.
- Carta de Bento Gonçalves.
- Assuntos Gerais.

O encerramento aconteceu no almoço na Comunidade Linha Paulina e na oportunidade foi decidido que o próximo encontro será em São Miguel D'Oeste – SC.

Agradecemos a presença de todos os participantes, Radialistas, palestrantes, difusores, imprensa e a todos que contribuíram para o sucesso deste evento.

Fonte: ASSODITA

terça-feira, 3 de novembro de 2015

19° Encontro Nacional dos Difusores do Talian e V Fórum Brasileiro da Língua Talian

O IPOL irá participar do 19° Encontro Nacional dos Difusores do Talian e do V Fórum Brasileiro da Língua Talian, que serão realizados nos dias 13, 14 e 15 de novembro de 2015, na cidade de Bento Gonçalves-RS, Brasil. Ambos os eventos são promovidos pela Associação dos Difusores do Talian (ASSODITA) e pela Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul (Fibras-RS). Para maiores informações, contactar Ademir Bacca pelo número: (54)9969.0034.

Confira abaixo a programação.

Programação

13 de novembro (sexta)
20:30h - Palestra a cargo do IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e IPOL (Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística).
- Leis municipais, ensino e língua Talian.
- Talian Patrimônio Imaterial e Língua de Referência Nacional.

14 de novembro (sábado)
08:00h - Credenciamento e inscrição.
08:30h - Solenidade de abertura.
09:00h - Mesas redondas
- Talian come se scrive e se parla.
- Talian experiência de ensino na rede privada.
- Talian Língua Cooficial ao Português – Experiências Municipais.
- “Janelas Abertas” - Talian numa experiência regional.
- Talian na Diversidade Linguística Nacional.
- Talian e comissões no IPHAN e MINC.
- AGERT e Língua Talian como comunicação.
- Talian como transmissor de fé e Deus.
20:30h - Jantar festivo
- Troféu e Diploma Mérito Talian e 140 Anos da Imigração Italiana.

15 de novembro (domingo)
08:30h - Ato religioso - Fé e religiosidade dei nostri Talian.
- Temas livres.
- Microfone aberto.
- Apresentação do site da ASSODITA.
- Carta do Encontro.
- Assuntos Gerais.
- Encerramento com Almoço Talian.             


Fonte: e-IPOL

domingo, 25 de outubro de 2015

Talian: protagonismo na luta pelo reconhecimento cultural e fortalecimento pela lei de cooficialização

Representantes da comunidade falante de Talian recebem o título de referência cultural brasileira das mãos da Sra. Jurema Machado, presidente do IPHAN, em 2014 – Foto: Facebook Diversidade Linguística.

Talian: protagonismo na luta pelo reconhecimento cultural e fortalecimento pela lei de cooficialização

Rosângela Morello, coordenadora-geral do IPOL


O Talian, que recebeu do IPHAN/MinC o Certificado de Referência Cultural Brasileira (juntamente como o Guarani Mbya e o Assurini) ano passado, é língua cooficial em Serafina Correa-RS desde 2009 e este ano até agora foi cooficializado em mais quatro municípios: Flores da Cunha-RS, Paraí-RS, Nova Erechim-SC e Nova Roma do Sul-RS. Em Bento Gonçalves-RS, tramita projeto a ser votado em breve.

No cenário das lutas pelo reconhecimento das línguas brasileiras, vários municípios vêm se mobilizando com a iniciativa de cooficializar as línguas de grande parte de seus cidadãos. Temos hoje, 19 municípios com línguas cooficiais, sendo 7 indígenas e 4 alóctones (ver relação abaixo). No caso da língua talian, Serafina Corrêa-RS foi o primeiro município a cooficializá-la pela Lei Municipal nº 2615 de 13/11/2009, após audiência pública e um conjunto de ações que tematizaram sua importância, nas reuniões da Câmara Legislativa do referido município, na pessoa do então prefeito Ademir Antônio Presotto. 

O processo de cooficialização do Talian foi seguido, este ano, por mais quatro municípios: Flores da Cunha-RS com a Lei Municipal nº 3180 de 27/04/2015, Paraí-RS com a Lei nº 3122 de 25/08/2015, Nova Erechim-RS com a Lei Municipal nº 1783 de 11/08/2015 e Nova Roma do Sul-RS, pela Lei Municipal nº 1310 de 16/10/2015. Já em em Bento Gonçalves-RS tramita projeto de cooficialização da língua talian a ser votado em breve. 

Além da cooficialização, é digno de nota o papel dos falantes, lideranças e instituições que têm atuado em prol do Talian também no âmbito do reconhecimento do patrimônio cultural a ele ligado. 

Através de seus líderes e instituições representativas, vale lembrar que o Talian teve um papel fundamental na abertura de uma política patrimonial para as línguas brasileiras, pleiteada também pelo IPOL, em 2004, ao encaminhar uma petição para a Criação de um Livro de Registro das Línguas à Comissão de Educação e Cultura do Congresso Nacional. O referido documento solicitava a abertura de um Livro de Registro para as Línguas Brasileiras como bem imaterial, ao modo do que o Ministério da Cultura já realizava com bens imateriais como os saberes, as celebrações, as formas de expressão e os lugares. O processo que então se desencadeou e que conduziu ao seminário legislativo e aos trabalhos do Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística (GTDL) deu ressonância à demandas feitas ao IPHAN pelos falantes do talian, que haviam já solicitado a esta instituição o reconhecimento do patrimônio cultural ligado a sua língua. De acordo com o relatório do GTDL (2007), o reconhecimento de línguas como patrimônio havia se constituído em uma preocupação da comissão e do grupo de trabalho criados em 1998 pelo Ministério da Cultura para estabelecer as políticas do patrimônio imaterial. No entanto, dúvidas relacionadas a aspectos conceituais e técnicos sobre o registro e o reconhecimento de línguas levaram a um adiamento da decisão. Deixou-se, por isso, em aberto, a possibilidade de criação de novos livros. É este campo de diálogo que é reativado em 2004 e 2006 e que culminaria no Decreto Federal nº 7.387, de 09/12/2010, instituindo o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). 

O protagonismo dos falantes do Talian conduziu, em 2007, a escolha do Talian como língua que seria inventariada no âmbito dos projetos pilotos. Em 2014, em cerimônia durante o I Seminário Iberoamericano da Diversidade Linguística, em Foz do Iguaçu, o Talian, juntamente como o Guarani Mbya e o Assurini, recebeu o Certificado de Referência Cultural Brasileira (ver notícia aqui). 

Em âmbito estadual, Rio Grande do Sul e Santa Catarina reconhecem o Talian como patrimônio histórico e cultural, respectivamente pela Lei nº 13.178, de 10/06/2009 e Lei nº 14.951, de 11/11/2009

Com notável vitalidade cultural, o Talian é língua de milhares de brasileiros que hoje vivem principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo. Sobretudo no sul do país, não é raro ouvir o Talian em programas em rádios e nas produções de grupos teatrais e musicais. De acordo com informe do Sr.Vereador Paulo Massolin, a Câmara de Serafina Corrêa, por exemplo, acolhe o bilinguismo e há sessões especiais só na Língua Talian.

Relação de municípios e suas línguas cooficializadas
São Gabriel da Cachoeira-AM: Nheengatu, Baniwa e Tukano
Tacuru-MS: Guarani
Tocantínia-TO: Akwê Xerente
Bonfim-RR: Macuxi e Wapichana
Cantá-RR: Macuxi e Wapichana
Pancas-ES: Pomerano
Santa Maria de Jetibá-ES: Pomerano
Domingos Martins-ES: Pomerano
Laranja da Terra-ES: Pomerano
Vila Pavão-ES: Pomerano
Canguçu-RS: Pomerano
Serafina Corrêa-RS: Talian
Flores da Cunha-RS: Talian
Nova Erechim-SC: Talian
Paraí-RS: Talian
Nova Roma do Sul-RS: Talian
Antônio Carlos-SC: Hunsrükisch
Santa Maria do Herval-RS: Hunsrükisch
Pomerode-SC: Alemão

Fonte: e-IPOL

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Língua talian é cooficializada em Nova Roma do Sul-RS

O talian agora é a língua cooficial de Nova Roma do Sul!

Ficou estabelecido pela Lei municipal nº 1.310, de 16 de outubro de 2015, que o Município de Nova Roma do Sul-RS agora conta com o “talian” como língua cooficial. O talian é a formação linguística proveniente dos diversos dialetos falados pelos imigrantes italianos que aqui se estabeleceram.

A lei foi criada como um projeto de valorização da herança linguística e cultural para garantir a preservação do patrimônio imaterial de nosso povo. É uma forma de conscientizar a população a proteger o “talian” como forma de identidade de cidadania.

A partir de agora o trabalho será no sentido de incentivar o conhecimento da língua, em especial para as novas gerações, e como forma importante de implementar esse plano educacional a favor do “talian” é desenvolver mecanismos de aceitação cultural, fornecer material didático e instrumentalizar a formação de profissionais para o ensino da língua. Outro aspecto importante é os meios pelos quais irá ser desenvolvida a aprendizagem, a prioridade é ensinar através da construção de vivência local elaborada ao longo do tempo, ensinando, resgatando e preservando a cultura, usos, costumes e tradições familiares através do “talian”.

domingo, 18 de outubro de 2015

Lançada segunda edição do "Dicionário Português Talian"

Corag lança 2ª edição do Dicionário Português-Talian

Em cerimônia realizada no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, foi lançada a 2ª edição do "Dicionário Português-Talian", de autoria do professor Darcy Loss Luzzato e editado e impresso pela Corag. No evento ocorrido nesta quarta-feira, 14/10, estiveram presentes prefeitos, secretários estaduais e municipais, comitivas de diferentes cidades, além do governador José Ivo Sartori, primeira dama Maria Helena Sartori, presidente da Corag Vinicius Ribeiro e da diretora administrativa e de negócios da Corag, Eloá Nespolo. Na ocasião também ocorreu a apresentação do Filó de Vila Flores, importante divulgador das tradições italianas em solo gaúcho. Os eventos foram alusivos aos 140 anos da Imigração Italiana. 

Assista abaixo vídeo com reportagem sobre o lançamento (ou acesse aqui).


A publicação chegou à sua segunda edição devido ao grande sucesso e esgotamento dos exemplares da 1ª edição. Para Vinicius Ribeiro, uma empresa pública não deve apenas se preocupar em apresentar resultados fiscais e econômicos de eficiência e qualidade; o compromisso social deve ser parte fundamental em suas iniciativas. "A Corag tem esse caráter de apoio e incentivo à produção literária e legado cultural do Rio Grande do Sul. Investindo no resgate da identidade e história da imigração italiana, através do Dicionário Português-Talian, apenas provamos que, para que nossas ações sejam universais, devemos estar sempre próximos ao que faz parte de nossas origens", afirma.

O Talian é o dialeto falado pelos primeiros imigrantes italianos vindos ao Estado. Falado por mais de 500 mil descendentes da imigração italiana ao Brasil, é uma língua de origem neolatina, única no mundo, baseada em dialetos vênetos e formada no Brasil a partir dos imigrantes que aqui chegaram. O idioma foi reconhecido no ano de 2014 como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e língua de Referência Cultural do país pelo Ministério da Cultura.

Fonte: Corag

domingo, 9 de agosto de 2015

Vídeo sobre a língua Talian

Assista abaixo (ou acesse aqui) ao vídeo sobre a língua Talian, elaborado quando da certificação da língua Talian como patrimônio cultural junto ao Governo Brasileiro (ver Notícia aqui).

sexta-feira, 24 de julho de 2015

La Lengua Talian no 1ºENMP



La Lengua Talian no 1ºENMP

Oficio n° 016

Ilmos. Sres.
Difusores do Talian
Brasil – Itália.

Serafina Corrêa, 16 de julho de 2015.

Caros Amigos

O IPOL (Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística), uma das mais respeitadas Entidades do setor linguístico do Brasil estará promovendo o 1° ENCONTRO NACIONAL DE MUNICÍPIOS PLURILÍNGUES, em 23,24 e 25 de setembro de 2015, em Florianópolis – SC.

Para informações do evento, favor acessarem http://1enmp2015.blogspot.com.br, ou como segunda opção blog e-ipol.org.
Nós, DIFUSORES DA LÍNGUA TALIAN, estaremos presentes e gostaríamos que fosse um encontro de todos os amigos na defesa e encaminhamento de propostas do Talian em todos os níveis, ou seja, nacional, estadual e municipal. Também, entre outras, será uma oportunidade de elaborarmos o Encontro Nacional que acontecerá em novembro de 2015, na cidade de Bento Gonçalves.

Aproveitamos para lembrar, que disponibilizamos um Kit de como elaborar uma lei municipal para cooficialização da Língua Talian ao português no seu município. Envie mensagem ao e-mail secretario@legislativoserafina.com.br solicite o Kit.

Demo, movete perche ze belche ora de cavarte fora e far la to parte. Fale com seu Prefeito ou Vereador para fazerem a lei.

Un strucon e até Floripa.

Paulo José Massolini
Presidente

*****

Oficio n° 018

Egr. Signori
Brasiliani e Italiani

Serafina Corrêa, 16 de julho de 2015.

Cari Amissi

Tuti sà che la LÉNGOA TALIAN gà deventà “Léngoa de Riferimento Nassional e Patrimònio Cultural e Imaterial del Brasile”.

Anca se pol dir, che questa maraveiosa Léngoa ze “Patrimònio Cultural e Imaterial dei Stati del Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Meio ancora adesso, che Serafina Corrêa in 2009 e questo ano a Flores da Cunha e Bento Gonçalves, la Léngoa Talian in questi paese gà deventà per lege, “Léngoa Coofissial al portughese”.

Come gavemo una proposta importante e se gavemo fato ricever rispeto de tuti, una granda Entità Linguìstica del Brasile che se ciama IPOL (Instituto de Investigassion e Svolupo in Polìtica Linguìstica) ze drio far el 1° ENCONTRO NASSIONAL DELE COMUNITÀ PLURILÌNGUE”, in 23,24 e 25 de setembre de 2015, nela belìssima cità de Florianòpolis – Santa Catarina.

Noantri saremo presenti e se voaltri vole saber de pi, ande rento a la internet http://1enmp2015.blogspot.com.br

Noantri semo drio far la nostra parte e voaltri?

Un gran strucon

Paulo Massolini
Presidente

Fonte: e-IPOL

quinta-feira, 19 de março de 2015

As muitas línguas do Brasil

Criança asurini. A língua falada por esse grupo indígena
 foi uma das três primeiras incluídas no Inventário Nacional
 da Diversidade Linguística - Foto: UnB Agência / Flickr.
As muitas línguas do Brasil

Everton Lopes

Documento cataloga as línguas faladas em nosso país. Quantas você conhece, além do bom e velho português?

Você consegue contar quantas línguas são faladas no Brasil? Se você pensou só no português, é hora de repensar sua resposta. Em um país grande como o nosso, onde diversas culturas, nascidas aqui ou vindas de outros lugares, dividem o território, é natural que as pessoas se comuniquem em diversas línguas. Mas essa diversidade nem sempre é reconhecida.

Por isso, especialistas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) resolveram criar o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), um documento que registra e descreve os idiomas falados em nosso país.

“O INDL tem como objetivos gerais promover e valorizar a diversidade linguística brasileira, fomentar a produção de conhecimento e documentação sobre as línguas faladas no Brasil e contribuir para a garantia de direitos linguísticos”, explica a linguista Giovana Ribeiro Pereira, do Iphan.

Casa em bairro de imigração italiana de Curitiba. O talian,
 língua falada por cerca de 500.000 descendentes de italianos no
Brasil, foi incluído no Inventário Nacional da Diversidade
Linguística - Foto: Radamés Manosso / Flickr.
Por enquanto o inventário inclui três línguas: o talian – uma variação do italiano trazido do norte da Itália por imigrantes e falado no Brasil por seus descendentes –, o asurini do trocará – uma língua da família tupiguarani falada por indígenas asurini – e o guarani mbya – língua falada por indígenas em grande parte do nosso litoral. Há projetos em andamento para inclusão de outras línguas faladas por grupos formados a partir da imigração, línguas indígenas e até línguas de sinais!

“O reconhecimento dessas línguas como referência cultural brasileira promove a valorização das línguas faladas no Brasil como elemento de transmissão de cultura e como referência de identidade para os diferentes grupos sociais”, diz Giovana. “O INDL contribui para a pluralidade linguística e cultural, desconstruindo o mito de que o Brasil é um país monolíngue”.

Everton Lopes é estagiário do Instituto Ciência Hoje.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Registro da Língua Talian como Patrimônio Cultural no Brasil é destaque no Jornal Nacional

Registro da Língua Talian como Patrimônio Cultural do Brasil é destaque no Jornal Nacional

Reportagem do Jornal Nacional (Rede Globo) de 31 de janeiro destacou o registro da Língua Talian como Patrimônio Cultural do Brasil. O Talian, juntamente com as línguas Guarani Mbya e Asurini do Trocará, são as primeiras línguas reconhecidas como Referência Cultural Brasileira pelo Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (ver notícia aqui) e agora fazem fazer parte do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). Essas línguas bem como os representantes de suas comunidades foram homenageados durante o Seminário Ibero-Americano de Diversidade Linguística, em Foz do Iguaçu-PR, no dia 18 de novembro do ano passado (ver notícia aqui).

Assista o vídeo com a reportagem aqui ou visualize abaixo.


Abaixo replicamos a notícia publicada no portal G1.

Dialeto derivado do italiano vira patrimônio cultural no Brasil

O Talian é falado por cerca de meio milhão de pessoas, principalmente no sul do país, e já tem até dicionário com mais de 40 mil verbetes.

Desde o fim do ano passado o Brasil tem um novo dialeto registrado como Patrimônio Cultural.

No jogo de cartas, quem será que está ganhando? Impossível saber, a menos que você entenda talian.

“A gente pegou hábito e fala o italiano e continua com o italiano",  diz um dos frequentadores da roda.

Eles e cerca de meio milhão de pessoas no país. Programas em talian vão ao ar em mais de 200 rádios brasileiras. Afinal, o dialeto nasceu aqui mesmo, depois da vinda dos imigrantes da Itália para o país.

"Essa mistura de dialetos do Norte e Nordeste da Itália com o português deu origem aquilo que hoje chamamos de talian", explica o professor Darcy Luzzatto.

O professor Darcy é autor do dicionário de talian, que tem mais de 40 mil verbetes, e prepara a primeira gramática da língua, que é comum principalmente no Sul do país. Em Serafina Corrêa, na Serra Gaúcha, o dialeto é a segunda língua oficial da cidade.

“Tem os nonos, que se sentem mais acolhidos quando a gente fala o dialeto com eles”, explica a vendedora Odete Lazzarotto.

Mas nem sempre foi assim. Nos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, os cidadãos brasileiros foram proibidos de falar qualquer idioma vindo de países inimigos. E a Itália era um desses países. Por isso, imigrantes e descendentes passaram a ser vigiados pela polícia, para que não descumprissem a lei.

O nono Etelvino, patriarca da família Bazzo, conta que a lei durou pouco tempo, mas deixou uma herança de preconceito.

“Chamavam colono grosso porque ele não sabia falar ‘brasileiro’”, conta.

Por isso, o reconhecimento do dialeto como língua e referência cultural brasileira pelo Ministério da Cultura (MinC) no fim do ano passado pode ajudar a manter o talian vivo também entre os jovens.

“Sendo uma língua oficial, há um status diferente. Traz orgulho e traz uma consciência de que é uma outra língua, que não é o português. Se se fala o talian, se preserva toda essa cultura da imigração italiana no Brasil”, destaca Paulo Massolini, presidente da Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do RS.

Fonte: G1

Notícias relacionadas:

Língua vai virar patrimônio cultural (reportagem veiculada em telejornal do SBT-RS em 19/11/2014)


Língua de imigrantes italianos se torna patrimônio brasileiro (reportagem veiculada no Jornal Hoje em 20/11/2014)


Fonte: e-Ipol.org

domingo, 25 de janeiro de 2015

A diversidade linguística como patrimônio cultural


Foto: Marcello Casal Jr_ABr
A diversidade linguística como patrimônio cultural

Ministério da Cultura inicia, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, política de reconhecimento das diferentes línguas e dialetos falados no Brasil através de processos de inventários, apoio a pesquisas, divulgação e promoção

Marcus Vinícius Carvalho Garcia

A diversidade linguística encontra-se ameaçada. Estima-se que entre um terço e metade das línguas ainda faladas no mundo estarão extintas até o ano de 2050. As consequências da extinção das línguas são diversas e irreparáveis, tanto para as comunidades locais de falantes, quanto para a humanidade. Essa percepção se encontra na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, elaborada na cidade de Barcelona, Espanha, em 1996, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas Para Educação e Cultura (Unesco) e com a participação de representantes de comunidades linguísticas de diversas regiões do planeta. Segundo este documento, a situação de cada língua é o resultado da confluência e da interação de múltiplos fatores político-jurídicos, ideológicos e históricos, demográficos e territoriais; econômicos e sociais. Salienta que, nesse sentido, existe uma tendência unificadora por parte da maioria dos Estados em reduzir a diversidade e, assim, favorecer atitudes adversas à pluralidade cultural e ao pluralismo linguístico.


O Brasil figura entre os países de maior diversidade linguística. Estima-se que, atualmente, são faladas mais de 200 línguas. A partir dos dados levantados pelo Censo IBGE de 2010, especialistas calculam a existência de pelo menos 170 línguas ainda faladas por populações indígenas. Embora não contabilizadas pelo Censo, pesquisas na área de linguística também apontam para outras línguas historicamente “situadas” e amplamente utilizadas no Brasil, além das indígenas: línguas de imigração, de sinais, de comunidades afro-brasileiras e línguas crioulas. Esse patrimônio cultural é desconhecido ou mesmo ignorado por grande parte da população brasileira.

A historiografia do país demonstra que foi necessário considerável esforço do colonizador português em impor sua língua pátria em um território tão extenso. Trata-se de um fenômeno político e cultural relevante o fato de, na atualidade, a língua portuguesa ser a língua oficial e plenamente inteligível de norte a sul do país, apesar das especificidades e da grande diversidade dos chamados “sotaques” regionais. Esse empreendimento relacionado à imposição da língua portuguesa foi adotado enquanto uma das estratégias de dominação, ocupação e demarcação das fronteiras do território nacional, sucessivamente, em praticamente todos os períodos e regimes políticos. Da Colônia ao Império, da República ao Estado Novo e daí em diante.

Tomemos como exemplo o nheengatu, uma língua baseada no tupi antigo e que foi fruto do encontro, muitas vezes belicoso e violento, entre o colonizador e as populações indígenas da costa brasileira e de grande parte da Amazônia. Foi a língua geral de comunicação no período colonial até ser banida pelo Marquês de Pombal, a partir de 1758, caindo em pleno processo de desuso e decadência a partir de então. Foram falantes de nheengatu que nominaram uma infinidade de lugares, paisagens, acidentes geográficos, rios e até cidades. Atualmente, resta um pequeno contingente de falantes dessa língua no extremo norte do país. É utilizada como língua franca em regiões como o Alto Rio Negro, sendo inclusive fator de afirmação étnica de grupos indígenas que perderam sua língua original, como os barés, arapaços, baniwas e werekenas.

Processo similar, ou mais opulento ainda, ocorreu com a infinidade de línguas faladas na África e que foram também faladas no Brasil devido ao tráfico transatlântico. Línguas dos troncos ewe-fon, nagô-iorubá e, principalmente, as bantu foram sendo absorvidas pela língua portuguesa em processo similar ao ocorrido com as línguas indígenas, porém, deixando também sua influência principalmente na fonética, na onomástica e no vocabulário do português brasileiro.

Em outro plano, o Estado Novo, sob o comando de Getulio Vargas, também adotou medidas que geraram impactos nas línguas e culturas das famílias e comunidades imigrantes que chegaram ao Brasil em fins do século XIX. Havia a preocupação, de fundo racialista, com a manutenção da hegemonia da cultura brasileira forjada a partir dos moldes lusitanos. Temia-se a possibilidade de ebulição de movimentos separatistas, que se suspeitava poder aflorar nas colônias de imigrantes japoneses, alemães, italianos, poloneses, ucranianos, entre outras. Foi a escola o principal instrumento de imposição, onde se tornou obrigatório o ensino da língua portuguesa, desestimulando-se, ao mesmo tempo, o aprendizado e a utilização das línguas faladas pelo imigrantes.

Pode-se afirmar que é relativamente recente, do ponto de vista do Estado brasileiro, e mesmo dos Estados nacionais de modo geral, tratar a diferença étnico-cultural e linguística no campo dos direitos humanos. E isso envolve a percepção de que falar ou não determinada língua materna tem que ser uma escolha dos indivíduos, das famílias e das comunidades. Cabe, desse modo, ao Estado, tão somente garantir a liberdade dessa escolha e fomentar políticas voltadas para garantia desse direito.

Línguas como Patrimônio
Na última década tem havido grande mobilização de grupos, de organizações de falantes e de pesquisadores no sentido de associar a diversidade linguística como temática inerente a políticas de cultura, mais especificamente na esfera do chamado patrimônio imaterial. Essa mobilização motivou a elaboração do Decreto Presidencial 7.387/2010, que instituiu o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). O INDL nasce como política interministerial envolvendo Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI), Ministério da Educação (MEC), Ministério do Orçamento e Gestão (MPOG), Ministério da Justiça (MJ), sob coordenação atual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), enquanto representante do Ministério da Cultura. Tem como princípios reconhecer as línguas como referência cultural brasileira, valorizando o plurilinguismo; apoiar os processos sociais e políticos que visem à promoção das línguas e de suas comunidades de falantes; pesquisa e documentação, bem como gerir um banco de conhecimentos sobre a diversidade linguística.

Um dos principais desafios para o reconhecimento das línguas minoritárias é constituir, com isso, direitos linguísticos, bem como a elaboração de estratégias que visem instrumentalizar as populações de falantes na preservação e na transmissão de seu patrimônio linguístico. Segundo Célia Corsino, diretora do Departamento do Patrimônio Imaterial/IPHAN, outro desafio é fazer do Inventário Nacional da Diversidade Linguística um instrumento includente e não discricionário, de modo que seja possível se inscrever no INDL todas as línguas faladas no Brasil, em sua plenitude ediversidade.

Importa salientar que a abordagem que o IPHAN está desenvolvendo para lidar com a complexidade desse tema é pautada na autodeclaração e na anuência dos grupos e comunidades de falantes, de modo que se aborde as línguas enquanto elementos de interesse cultural e de afirmação de identidades. Trata-se de uma estratégia voltada para a percepção do fenômeno linguístico enquanto produto de diversos fatores de ordem sociopolítica e não necessariamente como objeto de estudo de uma área acadêmica – a linguística –, que possui cânones e metodologias específicas de catalogação e classificação que nem sempre são inteligíveis para ospróprios falantes.

No entanto, acredita-se que o advento da política patrimonial da diversidade linguística chame a atenção para a necessidade de se ampliar os estudos de corte sociolinguísticos, de modo que seja possível levantar com mais exatidão quantas e quais são as línguas faladas no Brasil, bem como qual o tamanho do contingente populacional e quais as necessidades dos grupos de falantes que faz do Brasil um dos principais celeiros do plurilinguísmo na contemporaneidade.

O Vêneto Brasileiro
Outro caso relevante é o talian, uma língua forjada a partir do encontro, ocorrido em terras brasileiras, de imigrantes falantes de dialetos da região do Vêneto, na atual Itália, e que possui expressivo contingente de falantes no sul do Brasil. Atualmente, as línguas e os “modos de fazer” das comunidades que utilizam o talian são mais encontrados nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Há municípios, como Serafina Correa, no Rio Grande do Sul, em que o talian é língua oficial, assim como o português.

Estudos do Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística (GTDL) aproximam estatísticas sobre cerca de 500 mil pessoas utilizarem o idioma no Brasil, em diversas regiões. Inclusive, há estações de rádio na região Sul e no sul da região Centro-Oeste em que se transmitem programas em italian. No Rio Grande do Sul, o idioma já é patrimônio cultural imaterial oficial. Ainda sobre a disseminação da língua, em 2013 foi lançada a revista Talian Brasil (talian.net.br). Alora, ou então, como se diz em português, não há motivos para não catalogar o máximo possível a cultura trazida por essas comunidades, pois o idioma já é considerado uma língua nacional brasileira (fonte: revista Talian Brasil).

A Sobrevivência dos Pomeranos
Ocorrem no Brasil atual casos como o da língua falada pelos pomeranos, que imigraram para o Brasil devido à Segunda Guerra Mundial, e que conseguiu manter-se viva em pequenas comunidades do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo. Essa língua, em pleno uso e transmissão no Brasil, não é mais falada na Europa Central, sua região de origem. Após a guerra, a região onde ficava Pomerode foi incorporada à Polônia pela força do regime soviético. Quanto à etnia dos pomeranos, praticamente foi extinta e os sobreviventes dispersados pela Polônia. Mas a língua permanece viva no Brasil.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Moradores tentam resgatar dialetos 'esquecidos' no sul do país

Moradores tentam resgatar dialetos 'esquecidos' no sul do país

Felipe Bächtold

Aula em escola municipal em Serafina Corrêa (RS), onde o talian
 passará a ser ensinado nos colégios - Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress.
Em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, funcionários da prefeitura são orientados a falar "sorasco" em vez de "churrasco" e "sinele" no lugar de "chinelo".

Por enquanto, isso ocorre uma vez ao ano: na semana em que se comemora a emancipação da cidade de 16 mil habitantes. Por enquanto.

Ameaçado de extinção, o talian, uma espécie de variação do italiano, só agora começa a ter gramática, dicionário e aulas. E a cidade de Serafina Corrêa, na serra gaúcha, virou um bastião na luta para preservar esse idioma.

Mas não é a única. Outras comunidades pelo Sul do país também se mobilizam para manter vivos dialetos europeus hoje quase restritos a regiões rurais e a idosos.

Em Serafina Corrêa, o talian virou por lei idioma "cooficial" e é incentivado das mais diferentes maneiras. Programas de rádio, uma revista e atividades culturais no idioma tentam manter vivo o interesse da população pelo dialeto, que foi trazido por imigrantes há mais de um século e se modificou devido à influência do português.

Em breve, a prefeitura irá oferecer aulas do idioma nas escolas municipais.

Os adultos que hoje moram na parte central da cidade pouco usam o dialeto. E o antigo costume de transmitir o conhecimento do idioma de geração a geração foi se perdendo nas últimas décadas.

"Eu sei falar tudo e a minha filha me cobra porque não ensinei. Hoje não tenho mais com quem falar [o talian]", diz Fátima Tecchio, 49.

Em novembro, após receber da cidade um inventário, o Ministério da Cultura reconheceu o talian como Referência Cultural Brasileira, o que deu fôlego a entusiastas.

Um deles é a servidora Solange Soccol, 59, que criou cartilhas sobre o idioma. "Sem a língua, não temos a nossa identidade, nossa tradição", afirma.

Obstáculos
O trabalho de resgate do idioma enfrenta dificuldades como a falta de um modo padronizado de escrever. Como outras línguas de colonos, o talian é ágrafo, ou seja, se desenvolveu sem escrita.

Outro obstáculo é um trauma coletivo da época da Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando o governo de Getúlio Vargas proibiu idiomas estrangeiros em território brasileiro. Moradores idosos relatam que a perseguição bloqueou o uso no dia a dia e desestimulou o ensino.

"Quem falava em dialeto na escola ganhava castigo", diz Rosalina Vitalli, 77.

Ela vive em um distrito a 20 km do centro da cidade, onde o talian ainda é o idioma mais falado. Nesse último reduto do idioma, o português é chamado de "brasileiro".

Cássia Gollo, 27, descendente de italianos,
com a família - Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress.
Para a moradora Cássia Gollo, 24, os mais jovens têm mais vergonha de se expressar na língua dos avós. "Parece que têm um pouco de receio [de falar], que querem ser como os das cidades."

Apesar de Serafina Corrêa ser uma capital informal do talian, cidades de todo o Sul já receberam encontros anuais, promovidos por descendentes de italianos, para divulgar a língua.

A professora de ciências sociais Maria Catarina Zanini, da Universidade Federal de Santa Maria (RS), afirma que o talian surgiu no Brasil para facilitar a comunicação entre grupos vindos da Itália.

"Quando saíram de lá, os imigrantes não se entendiam: uns falavam o dialeto vêneto, outros o cremonese. Então, criaram uma língua."

'Sapato de Pau'
Desde 2010, um inventário produzido pelo governo federal busca catalogar os idiomas falados pelo país. Estima-se que existam mais de 250, a maioria indígenas.

A 100 km de Serafina Corrêa, na cidade de Westfália, o esforço é pela preservação de uma variação do alemão chamada de plattdeutsch.

O dialeto tem o apelido de "sapato de pau" devido aos tamancos que os imigrantes alemães usavam na época da colonização. Voluntários promovem programas de rádio e oficinas para o ensino da língua, que também não tem padronização escrita.

O município de Santa Maria do Herval (a 73 km de Porto Alegre) desde 2011 oferece nas escolas aulas de hunsrik, uma língua próxima do alemão falada por descendentes em vários Estados do país.

Hoje, 14 turmas até a 5ª série aprendem o dialeto. "Isso aumentou a autoestima da comunidade e a integração entre gerações. Se a língua não for mantida nas famílias, vai desaparecer", diz a professora Solange Johann, que coordena o projeto.

"Eu falo a língua que amo, banhada de tempo, trabalho e honra. A língua que os avós, hoje guardiães do céu, trouxeram como semente de vida. E foi um grande sacrifício manter por mais de cem anos. Mas aqui me dizem que ninguém entende, que estou arranhando os muros e que devo mudar a pronúncia. Que [se diz] 'eu me chamo' e não 'ni me ciamo' porque minha língua não existe. Mas eu devo, por acaso, sacrificar a minha língua para um deus sem piedade? Esses conselhos nem são esperança e são vazios de dignidade."

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Rosângela Morello em entrevista sobre diversidade linguística ao programa Páginas de Português da RTP

Rosângela Morello em entrevista sobre diversidade linguística ao programa Páginas de Português da RTP

Fala de Rosângela Morello na entrega do diploma de reconhecimento da língua indígena Guarani Mbya no Seminário de Foz do Iguaçu (Fonte: Facebook de Maria Ceres Pereira)
A coordenadora-geral do IPOL, Rosângela Morello, concedeu uma entrevista o programa Páginas de Português, transmitido pela Rádio Antena 2, da Rádio e Televisão de Portugal (RTP).

O tema da entrevista é a importância do I Seminário Ibero-Americano de Diversidade Linguística, realizado em Foz do Iguaçu-PR, mês passado. Na entrevista, Morello destaca a importância do evento tanto como uma política de reconhecimento e conhecimento das línguas brasileiras por parte do Estado brasileiro, quanto de diálogo com outros países com suas respectivas iniciativas políticas concernetes à diversidade das línguas. A entrevistada discorre também sobre questões como o Inventário da Diversidade Línguística (INDL) e a cooficialização de línguas nos municípios brasileiros, a importância do espanhol nas regiões de fronteira entre o Brasil e países vizinhos, além da difusão e do futuro da língua portuguesa no mundo.

Ouça a íntegra da entrevista aqui

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Patrimônio, língua talian luta para sobreviver no Brasil

Patrimônio, dialeto talian luta para sobreviver no Brasil

Os descendentes dos imigrantes italianos tentam manter o dialeto talian vivo.

Língua falada por descendentes de italianos é forte no sul do país

Por Tatiana Girardi

Os descendentes dos imigrantes italianos que chegaram ao Brasil nos séculos passados conseguiram um reconhecimento inédito: ver o dialeto talian ser considerado uma "Referência Cultural Brasileira" pelo Ministério da Cultura.

Com origens no norte da Itália, de onde a maioria dos italianos veio para povoar a região sul e sudeste do Brasil, o dialeto também é conhecido como o "vêneto brasileiro". Porém, o que é falado atualmente no país é uma verdadeira mistura de diversos dialetos italianos das regiões da Lombardia, Trentino Alto-Ádige, Piemonte, Toscana e, claro, do Vêneto.

Apesar do reconhecimento, o medo de perder a tradição é grande. Isso porque muitos jovens, por vergonha ou por receio, não aprendem a língua. Para Aliduino Zanella, presidente da Federação de Entidades Ítalo-Brasileiras do Meio-Oeste e Planalto Catarinense (Feibemo) e mestre e pesquisador de talian, esse receio foi causado pelo governo de Getúlio Vargas.

"É uma consequência do período em que era proibido falar os idiomas que não fossem o português. Os pais, receosos, não mais repassaram aos filhos essa língua cultural", destacou Zanella.

O especialista se refere a uma lei promulgada em 1940 que proibia qualquer cidadão brasileiro de falar um idioma que envolvesse "os países inimigos" na Segunda Guerra Mundial: Alemanha, Japão ou Itália. Com isso, os descendentes e os imigrantes eram vigiados por policiais e todo o material sobre sua cultura era queimado.

Mesmo as pequenas cidades do interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul sofreram com a pressão policial. Isso fez com que a tradição da língua fosse se perdendo com o tempo.

Mas nem tudo está acabado para as novas gerações. Para Jaciano Eccher, que tem um blog sobre tradições italianas, o "Italiani in Brasile", e produz programas em talian para rádios, o reconhecimento do dialeto fez bem para a cultura no Brasil.

"Depois que foi reconhecido, a procura entre jovens pelo dialeto aumentou. Eles têm entre 17 e 29 anos e querem manter a tradição. Se nós não batalharmos pelo talian, poderemos ser a última geração a usar o dialeto", destacou Eccher.

De acordo com Ubiratan Souza, professor de italiano e especialista em dialetos, o reconhecimento também é uma "relevante notícia que apareceu em um momento oportuno".

"Vivemos um momento em nosso país que as minorias étnicas tem recebido atenção especial do governo nos últimos anos. É um modo de dar visibilidade ao talian", ressaltou.

Tanto Souza como Zanella destacam, porém, que é preciso que o dialeto seja colocado na grade curricular de escolas para conscientizar as pessoas da importância dessa língua falada pelos imigrantes.

"É preciso um esforço maior entre o governo e as instituições brasileiras e italianas para não perder esse pedaço importante da história entre os dois países", destacou Souza.

Segundo o presidente da Feibemo, atualmente "são mais de 300 programas de rádio que transmitem a língua e a cultura talian".

Uma das dificuldades para ensinar o talian é que o dialeto não tem uma única grafia. No entanto, segundo Eccher, os líderes dos grupos que querem preservar a língua têm tentado compilar em dicionários todos os verbetes. Ele mesmo está escrevendo um exemplar que inclui a versão do italiano gramatical para cada palavra.

"O dialeto cria o sentimento de pertencimento, identifica e coloca o indivíduo na dimensão precisa de sua história pessoal. É um patrimônio cultural para ser defendido", ressaltou o professor Souza.

Ele ainda conta uma curiosidade sobre uma das palavras mais usadas por todos os brasileiros.

"A palavra "tchau" usada em português se refere ao "ciao" usado pelos descendentes do vêneto quando eles eram rejeitados pelos brasileiros", disse.

E a luta que levou ao reconhecimento do talian pelo MinC pode ser a porta para o reconhecimento de outros dialetos. Segundo a Unesco, no Brasil são falados 210 idiomas por minorias, sendo que 70 deles têm alguma relação com os imigrantes de vários países que vieram para o Brasil ao longo dos séculos. 

Fonte: ANSA Brasil

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Políticas públicas podem preservar 230 idiomas no Brasil

Políticas públicas podem preservar 230 idiomas no Brasil

Aline de Melo Pires

Foto: Marcello Casal Jr. - Agência Brasil
A herança cultural de um povo é preservada por sua língua. No Brasil, o idioma oficial é a Língua Portuguesa, mas existem, além dela, mais 230 línguas faladas no País. Desse total, 200 são de tribos indígenas e 30 de descendentes de imigrantes. Parece muito? Estima-se que, quando os portugueses atracaram por aqui, esse número chegava perto de 1 mil.

A falta de políticas públicas para preservar os idiomas e a característica cultural das suas comunidades está entre os principais motivos que levam à extinção de uma língua. A afirmação é da professora Ana Elvira Gebara, do curso de Mestrado em Linguística da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo (SP). “As línguas estão muito ligadas à situação social e histórica em que as comunidades vivem. O que acontece com as línguas indígenas, por exemplo, é que, se você não tem uma política para essas comunidades, a língua morrer é um reflexo de como elas estão sendo tratadas dentro do País”, afirma.

Atualmente, alguns idiomas são dominados por comunidades pequenas, que envolvem poucos integrantes. É possível, portanto, que muitos sejam extintos no futuro. Segundo a professora, contudo, não se pode prever quantas línguas deixarão de existir, pois essa tendência depende do movimento da sociedade e do que seguirá importante, ou não, para ela. A língua, conforme Ana, é a possibilidade de interação que o ser humano tem. Se não há essa interação, se perde uma forma de olhar e entender o mundo.

Interação e otimismo
Apesar das estatísticas, há iniciativas em curso em prol da manutenção dos idiomas nas comunidades brasileiras. Um exemplo é um projeto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Recentemente, o órgão reconheceu três idiomas falados no Brasil como Referências Culturais Brasileiras. As línguas Talian, Asurini do Trocará e Guarani Mbya foram as primeiras a serem reconhecidas e passaram a fazer parte do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). Os representantes de suas comunidades foram homenageados durante o Seminário Ibero-americano de Diversidade Linguistica, em Foz do Iguaçu/PR, entre 17 e 20 de novembro.

O Talian é falado por uma parte dos imigrantes italianos nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O idioma começou a ser adotado quando os italianos chegaram ao País, no fim do século 19. Existem cidades em que ele é a língua co-oficial, como em Serafina Corrêa/RS, e tem tanta relevância quanto a Língua Portuguesa.

O Asurini do Trocará ou do Tocantins é a língua dos indígenas que vivem às margens do Rio Tocantins, na cidade de Tucuruí (PA). A língua faz parte da família linguística Tupi-Guarani. Já o Guarani Mbya é uma variedade moderna da Língua Guarani, junto com o Nhandeva ou Ava Guarani e o Kaiowa. A região dos povos que falam Guaranu Mbya compreende a faixa litorânea que vai do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul e ainda a fronteira entre Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Distribuídos por várias comunidades, os Guarani representam uma das maiores populações indígenas do País.

Mobilização das comunidades
O reconhecimento dessas três línguas como Referências Culturais Brasileiras foi um pedido das próprias comunidades ao Iphan e representam o começo do que pode ser um resgate cultural no País. “O Brasil não é um País de uma só língua - estão envolvidos muitos aspectos culturais que significam elementos de transmissão e não podem ser perdidos”, explica  Giovana Ribeiro Pereira, representante do Departamento do Patrimônio Imaterial do Iphan.

Com o intuito de ser reconhecida e integrar o Inventário Nacional da Diversidade Linguística, uma língua precisa ser falada em território nacional há, no mínimo, três gerações. O objetivo do Inventário é associar a expressão linguística a sua comunidade de referência e valorizar a expressão como aspecto relevante do patrimônio cultural brasileiro. Para fazer o pedido, os representantes das comunidades devem encaminhar a solicitação ao Iphan. Esse pedido é analisado por uma comissão técnica formada por representantes dos ministérios da Cultura, Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, Justiça e Planejamento.

Assim como o português, outros idiomas falados no Brasil estão em constante evolução. Mas manter a autonomia e as raízes também depende dos próprios representantes das comunidades. “Existe uma escola em Caraguatatuba que tem alunos índios. Quando é preciso mandar bilhete para os pais, eles são enviados para o chefe da tribo. Computador eles conhecem, mas chamam de ‘caixa do pensamento’, ou seja, estão integrados à influência externa, evoluem, mas mantêm sua essência”, conclui Ana.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Línguas Guarani Mbya, Asurini do Trocará e Talian recebem certificação de Referência Cultural Brasileira em cerimônia

Três línguas são reconhecidas pelo Iphan como Referência Cultural Brasileira

Rosângela Morello, coordenadora geral do IPOL, na entrega do diploma
 de reconhecimento da língua indígena Guarani Mbya -
Foto: Facebook de Maria Ceres Pereira
As línguas foram apresentadas em encontro ibero-americano que debater políticas públicas para a preservação da diversidade linguística.

Talian, Asurini do Trocará e Guarani Mbya são as primeiras línguas reconhecidas como Referência Cultural Brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e que agora passam a fazer parte do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), conforme dispõe o Decreto 7387/2010. Essas línguas e os representantes de suas comunidades foram homenageados durante o Seminário Ibero-americano de Diversidade Linguística, que acontece em Foz do Iguaçu (PR), até o dia 20 de novembro.

Representantes da comunidade falante de Talian recebem o título
 de referência cultural brasileira das mãos da Sra. Jurema Machado,
 presidente do Iphan - Foto: Facebook Diversidade Linguística.
Na última terça-feira, dia 18, as comunidades receberam da presidenta do Iphan, Jurema Machado, o certificado do registro das línguas, que ocorreu em 09 de setembro de 2014. Segundo ela, este é “de fato o primeiro resultado de uma política que se pretende muito ampla de proteção da diversidade linguística. Esses três primeiros ocorrem porque eram estudos mais adiantados, mas o que se pretende é estender ao maior número possível de línguas, de forma que elas tenham direitos e, enfim, a proteção do Estado."

O Talian é utilizada por uma parte da comunidade de imigração italiana, na Região Sul do Brasil, sobretudo nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A língua é falada desde que os italianos começaram a chegar ao país, no final do século XIX. Há municípios desses estados nos quais o Talian é língua co-oficial. Ou seja, detém relevância tanto quanto a língua portuguesa.

Asurini do Tocantins na cerimônia de titulação
de sua língua - Foto: Facebook Diversidade Linguística.
Asurini do Trocará ou Asurini do Tocantins é a língua falada pelo povo indígena Asurini, que vivem as margens do Rio Tocantins, no município de Tucuruí (PA). A língua pertence à família linguística Tupi-Guarani.

Guarani Mbya é uma das três variedades modernas da Língua Guarani, juntamente com o Nhandeva ou Ava Guarani e o Kaiowa. A língua Guarani Mbya é uma das línguas indígenas faladas no Brasil, ocupando uma grande faixa do litoral que vai do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, além da fronteira entre Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Os Guarani representam uma das maiores populações indígenas do Brasil. Estão distribuídos por diversas comunidades.

Guarani na cerimônia de titulação -
 Foto: Facebook Diversidade Linguística.
Seminário Ibero-Americano de Diversidade Linguística 
O evento vai discutir políticas públicas para a preservação e promoção da diversidade linguística dos países Ibero-americanos.  O objetivo do encontro é possibilitar a reflexão sobre as experiências e iniciativas desenvolvidas pelos países, como a política brasileira para a diversidade linguística, além de propiciar um espaço de levantamento, sistematização e análise de experiências e iniciativas voltadas à promoção do espanhol e do português como segundas línguas dos países Ibero-americanos, assim como nos Estados Unidos, Canadá, Caribe e África Lusófona.

Durante o Seminário vão ocorrer ainda os seguintes eventos:  Encontro de Autoridades Ibero-Americanas sobre Políticas Públicas para a Diversidade Linguística, reunindo representantes de todos os países que integram a comunidade ibero-americana, e o Fórum Línguas, Culturas e Sociedades, organizado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

O evento é uma parceria do Iphan e do Ministério da Cultura com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Essa é primeira edição do encontro. A cidade de Foz do Iguaçu foi escolhida para sediar o evento por estar na fronteira do território linguístico do português, espanhol e das línguas minoritárias faladas no espaço ibero-americano.

INDL
Para que uma língua seja reconhecida e passe a fazer parte do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) ela precisa ser falada em território nacional há, pelo menos, três gerações, o marco temporal é em torno de 75 anos. O objetivo do Inventário é associar a expressão linguística à sua comunidade de referência e valorizar a expressão enquanto aspecto relevante do patrimônio cultural brasileiro.

Para fazer é solicitação, é necessário que a comunidade encaminhe o pedido de inclusão no INDL para o Iphan. O pedido é analisado por uma comissão técnica formada por representantes dos seguintes ministérios: Ministério da Cultura, Educação, Ciência Tecnologia e Inovação, Justiça e Planejamento. Se esses representantes decidirem pelo reconhecimento, o processo segue para a sanção da Ministra da Cultura.

Saiba mais sobre a Política da Diversidade Linguística clicando aqui.

Veja, clicando aqui, o certificado de registro da língua Talian
Veja, clicando aqui, o certificado de registro da língua Asurini do Trocará
Veja, clicando aqui, o certificado de registro da língua Guarani Mbya

Serviço: 
Seminário Ibero-Americano de Diversidade Linguística
Data: 17 a 20 de novembro de 2014
Local: Foz do Iguaçu (PR)

Página Diversidade Linguística no Facebook.