Apresentação

O Forlibi surgiu da necessidade de unir as línguas brasileiras de imigração com o objetivo de instaurar um diálogo permanente entre estas comunidades linguísticas, e se propõe a ser um espaço de pesquisa, mediação e articulação política em variadas frentes para o fortalecimento das mesmas. Reunindo falantes e representantes das línguas de imigração e de instituições parceiras, tem como propósito delinear ações coletivas para a promoção das línguas nas políticas públicas em nível nacional.

sábado, 17 de maio de 2014

Dissertação descreve processos envolvidos na variação e constituição da língua brasileira de imigração alemã vestfaliano

Variação e contatos linguísticos do vestfaliano rio-grandense 

A dissertação de mestrado intitulada Variação e contatos linguísticos do vestfaliano rio-grandense falado no Vale do Taquari foi recentemente defendida por Aline Horst, aluna do Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob a orientação do Prof. Dr. Cléo Vilson Altenhofen.

Confira abaixo o resumo da dissertação.

RESUMO
A presente Dissertação apresenta as etapas e os resultados de uma pesquisa que objetiva descrever os processos envolvidos na variação e constituição da língua brasileira de imigração alemã vestfaliano (We, também conhecida como sapato-de-pau, Plattdüütsch), identificando aspectos de sua configuração linguística e as territorialidades de uso e manutenção dessa língua em um contexto de plurilinguismo e de contato com variedades do português (Pt) e do alemão (Dt - Deutsch), sobretudo do Hunsrückisch (Hrs), alemão-standard (StDt, Standarddeutsch) e Hochdeutsch local (Hdt), no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, Brasil. Trata-se de uma área linguística bem delimitada que engloba as localidades situadas em Westfália, Teutônia, Colinas e Imigrante. Para a realização do estudo, seguiu-se a metodologia do projeto ALMA-H (Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata: Hunsrückisch), que se orienta pelos pressupostos da dialetologia pluridimensional e relacional, conforme Thun (1998). Esse modelo fundamenta-se na análise da variação linguística em diferentes dimensões (princípio da pluridimensionalidade) que combinam tempo (mudança linguística), espaço (migrações e territorialidades) e sociedade (diferentes segmentos sociais). No presente estudo, realizaram-se entrevistas com 31 falantes bilíngues Pt/We das quatro comunidades, distribuídos em quatro grupos, conforme a idade (geração velha, GII, e jovem, GI – dimensão diageracional) e o nível sócio-cultural (escolaridade básica ou superior, respectivamente Cb e Ca – dimensão diastrática). Foi, para tanto, utilizada uma versão simplificada do questionário do ALMA-H, adaptada ao We. Os resultados apontam uma pequena redução de marcas do vestfaliano nos dados das gerações mais novas (GI), especialmente de Teutônia (CbGI) e Colinas (CaGI e CbGI). Essa tendência não pode, no entanto, ser relacionada ao nível sócio-cultural (Ca e Cb), mas aos contatos e à mobilidade dos informantes. As marcas dialetais ainda presentes na fala dos informantes das localidades do Vale do Taquari permitem reconhecer semelhanças com o vestfaliano falado nas proximidades de Hasbergen, região de Tecklenburg e Osnabrück, na Alemanha (região de origem dos imigrantes), como mostram dados do Digitaler Wenker-Atlas (DiWA). A análise das territorialidades de uso do vestfaliano, adicionalmente à descrição do grau de presença de marcas dessa variedade nos diferentes grupos de fala, releva o papel da família como principal fonte de input dos falantes da variedade vestfaliana em todas as gerações, já que nos espaços públicos prevalecem outras variedades em contato, sobretudo Pt e Hdt e, em menor escala, Hrs. Esta situação traz consigo uma gradativa substituição da língua minoritária We pelo português, influenciada principalmente pela escola. Nas gerações mais velhas e/ou com maior nível de instrução, os dados apontam uma presença maior do StDt e do Hdt, variedade esta muito próxima ao StDt e comum entre alguns falantes das localidades. Por fim, não se pode ignorar a influência da religião na propagação de marcas do alemão (sobretudo Hdt), lembrando que todos os informantes da pesquisa são evangélicos luteranos (IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) e, especialmente os das gerações mais velhas, que frequentaram o ensino confirmatório em língua alemã ou tiveram contato com textos escritos em StDt.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Programa raízes da TV Gazeta (ES) sobre os pomeranos

Reportagem da filial da TV Globo no Espírito Santo , a TV
Gazeta, no programa raízes, abordando a chegada dos pomeranos a região ,
além de toda suas características culturais e modo de vida. confiram

  


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Filme conta emigração de suíços em Joinville

Suíços tiveram participação importante na colonização do Sul Brasileiro, dando origem a Joinville, atualmente uma das mais importantes e belas cidades da região. Um filme brasileiro mostra as condições da época que motivaram emigração e a chegada de um grupo de suíços ao Brasil.
  

A proposta do filme é resgatar uma parte quase apagada história de uma das mais importantes cidades do Sul brasileiro – Joinville, no estado de Santa Catarina - a partir da chegada de colonos suíços, há 160 anos.  O filme foi realizado com recursos de incentivos fiscais brasileiros (Lei Rouanet) e do Governo da Suíça (federal e cantonal) e produzido pela suíça Katharina Beck.
 Para brasileiros comuns, que jamais associariam a imagem de crise e miséria a um país como a Suíça, a primeira surpresa é ver como a fome e as dificuldades econômicas compeliram o país a promover a emigração de seus miseráveis e indigentes para além-mar, confiscando os bens daqueles que ainda os tinham
antes de partir em busca do Eldorado ou, pelo menos, da sobrevivência.

 Pobreza motivou a emigração

A outra novidade é a revelação de que a colonização de Joinville, no estado sulista de Santa Catarina, teve início com a chegada dos colonos suíços, e não dos alemães, como se atribuía até o lançamento do livro de Dilney Cunha que deu origem ao seu roteiro. O livro, publicado em 2003, trouxe à luz a importante participação dos colonos suíços na formação e desenvolvimento daquela região do Sul brasileiro. A partir de Joinville, os suíços migraram para outros centros, como Curitiba, no Paraná (estado vizinho).

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Brasil e Suíça se encontram em uma “Têra Novala”

Um livro “poliglota” editado por um ex-funcionário do Banco Central do Brasil procura manter viva a história e a linguagem de uma época.
 
A autora "Titi", Anne-Marie Yerli, autografa seu livro "poliglota". 
A autora "Titi", Anne-Marie Yerli, autografa seu livro "poliglota". 

 Têra Novala”, Terra Nova em dialeto da região de Gruyère, conta a aventura de emigrantes suíços ao Brasil em 1819, em várias línguas e dialetos. O livro é uma aula de história e de francês, alemão, português e dialetos da Suíça.
A obra é fruto de uma amizade sem fronteiras e o tema um assunto cada vez mais da atualidade, essa é a impressão que se tem ao folhear a obra da suíça Anne-Marie Yerly, traduzida por Alberto Wermelinger e Daniel Folly, que põe em cena o destino de 3 famílias suíças que partem ao Brasil, em 1819.

Apresentado em grande estilo com cantos do coral “Lè Tserdziniolè” e muitos discursos em vários idiomas e dialetos, o livro também faz uma homenagem ao folclore e às tradições de uma região: a Gruyère, terra do famoso queijo e de muitos ancestrais de brasileiros.

Vestido em trajes típicos da região, o brasileiro Alberto L. A. Wermelinger Monnerat, editor da obra, apresenta o resultado de sua paixão pela história da emigração suíça ao Brasil e da solidariedade de dois povos.

Na ocasião também foi apresentado o projeto “Rural Legal”, que pretende, com o benefício da venda do livro, dinamizar a economia de uma das regiões de Nova Friburgo mais afetadas pela tempestade do começo do ano, com propostas de capacitação do pessoal atingido na cadeia econômica do turismo.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O dialeto esquecido


Cena do documentário "Walachai" (2009), de Rejane Zilles: dialeto como afirmação de uma cultura
No Rio Grande do Sul, a 100 quilômetros de Porto Alegre, fica Walachai, um povoado de origem alemã que sempre viveu à margem. Na pequena comunidade rural, localizada na Serra Gaúcha, as pessoas falam um dialeto alemão chamado Hunsrückisch – também conhecido como “hunsriqueano” – e ainda vivem como se vivia cem anos atrás. Não por acaso, Walachai quer dizer “lugar distante, onde o tempo parou” em alemão antigo, expressão que faz jus ao seu clima bucólico.
O dialeto hunsriqueano, com origem na região do Hunsrück, no sudoeste da Alemanha, é uma das línguas minoritárias mais faladas no Brasil. Por “língua minoritária” entenda-se o idioma de uma minoria étnica situada numa dada região. O dialeto hunsriqueano representa uma das trinta línguas trazidas ao país por imigrantes, ao lado de aproximadamente 180 línguas indígenas existentes no Brasil. Embora não haja um levantamento preciso sobre o número de pessoas que falam o dialeto, sabe-se que estão espalhados em 38 localidades, a maioria no sul do país – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – onde os primeiros alemães se concentraram, no início do século 19.

Arcaico

O distrito de Walachai ficou conhecido quando um professor local, João Benno Wendling, decidiu registrar a história de seu povoado em livro, ao qual teve acesso a diretora de cinema Rejane Zilles, natural da cidade.Foi o bastante para que ela resolvesse transformá-lo no documentário O Livro de Walachai (2007), mais tarde retomado no longa-metragem Walachai (2009), exibido na 33ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em outubro passado. Wendling dedicou toda sua vida à alfabetização em português das crianças do distrito, e suas anotações, mais de 400 páginas escritas à mão, formam um relato minucioso da cultura e dos costumes locais.– Fiquei comovida com a dedicação abnegada deste homem, que durante nove anos, sem nenhum auxílio, se dedicou a registrar a história do nosso povoado. Percebi que tinha ali um ótimo roteiro, mas o tempo urgia, pois o professor na época já tinha 82 anos e a saúde debilitada – conta Rejane.O hunsriqueano é uma espécie de alemão arcaico, recheado de expressões que não encontram mais equivalência na língua alemã atual. Esse dialeto vem sendo transmitido de geração em geração desde a chegada dos primeiros imigrantes alemães, há mais de 180 anos. Por ser essencialmente falado, o hunsriqueano praticado no Brasil não dispõe de uma escrita sistematizada, valendo-se, normalmente, do chamado alemão-padrão (Hochdeutsch) e do português para o registro.


Identidade

O professor Cléo Altenhofen, do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que são frequentes e notórios os juízos de valor depreciativos sobre as línguas minoritárias, em especial aquelas orais, caso do hunsriqueano. – Essa condição de dialeto, situado abaixo da norma padrão, e de língua marginal submissa à língua oficial, o português, aliada à posição social dos imigrantes, tem dado margem a depreciações do Hunsrückisch, incluindo atributos como verlorene Sproch ["língua perdida"], vebrochne Deitsch ["alemão quebrado"] ou Heckedeitsch ["alemão do mato"] – diz Altenhofen.

O professor destaca o valor social do dialeto. – Uma língua significa muito mais do que uma lista de palavras ou de regras gramaticais. É também um sinal de identidade – justifica.


Empréstimos

A diretora Rejane Zilles sentiu na pele, durante uma viagem pela Alemanha, o peso da identidade e o “anacronismo” do dialeto de Hunsrück em relação ao alemão culto.– Cheguei a Berlim falando apenas o dialeto. Eu me sentia quase um “objeto antropológico”. As pessoas tinham enorme curiosidade para saber de onde vinha esse alemão que eu falava e me diziam ser curioso ouvir uma pessoa jovem usando expressões tão antigas – diz ela. Essa cultura própria, independente da matriz alemã, se evidencia nas influências do português sobre o hunsriqueano. Muitas palavras foram tomadas de empréstimo pelo dialeto devido à falta de conhecimento de suas correspondentes em alemão-padrão. Bom exemplo é “televisão”, que não fora inventada à época da imigração. Foi “descoberta” mais tarde só pelo nome que lhe deram aqui no Brasil, ignorando que na Alemanha o aparelho chamava-se Fernseher. Há exemplos de hibridismos: Mais (milho) é de origem alemã, mas não era usada pelo dialeto. Em vez do alemão-padrão Maismehl (farinha de milho), o hunsriqueano criou o termo Milhomel. E de substrato: “guri”, “menino” para os gaúchos, vai para o plural hunsriqueano com a flexão -e do paradigma alemão: Gurie (outros exemplos no quadro abaixo).


HunsriqueanoPortuguêsAlemão-padrão
FeschónFeijãoBohnen
FakónFacãoBuschmesser
KarétCarretaLastwagen
AmescheNêspera-
PastPastoWeide
MakákMacacoAffe
MuleMulaMaultier
OnzeOnçaJaguar
SchikótChicotePeitsche
KaroseCarroçaLeiterwagen
SchuraskeChurrascoGrill
KanelepaumCaneleiraZimtbaum
Fonte: O hunsrückisch no Brasil: a língua como fator histórico da relação entre Brasil e Alemanha, Karen P. Spinassé (Espaço Plural, 19, 2008)

Segregação

Regina Zilles diz que, ao rodar o documentário, queria desfazer o mito de que as comunidades alemãs optem pela segregação cultural. – Muitos acham que “esses alemães” ficam louvando a Alemanha e seus costumes, ao modo das típicas festas de Oktoberfest. É claro que há esse segmento, mas não é a realidade de Walachai, um lugar que conheço de dentro, pois nasci lá. A Alemanha de origem está muito distante para essas pessoas humildes, da qual não sabem nada e nem demonstram interesse em conhecer. Já se criou uma cultura própria e essa sim me interessa revelar – diz. Há uma real dificuldade, especialmente entre os idosos em Walachai, de falar português. Isso se deve, em parte, à política de nacionalização do Estado Novo (1937-1945). Getúlio Vargas reprimiu o ensino de alemão nas escolas. A proibição, de forma vertical e arbitrária, prejudicou o aprendizado do português, pois os alunos chegavam à escola e não entendiam o que o professor explicava. Mesmo depois de 1939, com a Campanha de Nacionalização do Ensino, o governo não tomou medidas que incorporassem os colonos alemães à cultura brasileira, e o aprendizado de toda uma geração foi afetado. Durante todo esse tempo, Walachai viveu o limbo de dois idiomas que se cruzam. (Edgard Murano, “O dialeto esquecido”, revista Língua Portuguesa n. 52, Jan/2010)



Fonte: Edgardm 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Pomeranos agora têm dia para celebrar sua cultura no RS



A sessão plenária da última quarta-feira (11) foi especial para o deputado Pedro Pereira (PSDB) e para os descendentes de pomeranos em todo o Rio Grande do Sul. Nesse dia foi aprovado, por unanimidade, pelos deputados gaúchos o projeto de lei de autoria do tucano, criando o Dia da Etnia Pomerana no Estado. 

“O principal é preservar os valores culturais e resgatar as características históricas desse povo, que teve sua pátria roubada por sucessivas guerras, tendo a necessidade de tentar um novo começo em terras estrangeiras. A maneira com que fizeram isso e a influência pomerana no Brasil são notáveis e não poderiam continuar sem reconhecimento”, diz Pereira. O tucano também destaca a busca por esse resgate cultural realizado pelos pomeranos no Brasil, através da edição do Dicionário Pomerano-Português, pelo pesquisador e antropólogo Ismael Tressmann, em 2006 e dos trabalhos feitos pela Universidade Federal do Espírito Santo e pelas Universidades, Federal e Católica, de Pelotas para conservar e recuperar a língua, a tradição e a cultura desse povo.

Os pomeranos, descendentes de Eslavos que chegaram ao Estado em 1858, se instalando no interior de São Lourenço do Sul, logo partiram para outras terras. Sendo um povo de acentuada vocação para a agricultura, sempre cultivaram o trigo, a cevada, beterraba açucareira, centeio, pastagens e, posteriormente, a batata. Atualmente a influência da cultura, hábitos e língua pomerana é significativa nos municípios de São Lourenço do Sul, Canguçu, Turuçu, Chuvisca, Arroio do Padre, Morro Redondo e Pelotas, sendo que em alguns destes municípios os descendentes chegam a constituir 70 % da população.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Livro reúne 21 artigos sobre colonização italiana no ES

Kamila é bisneta de imigrantes e teve o primeiro contato com a literatura italiana na universidade.

As manifestações culturais organizadas da colônia italiana começaram na década de 70 do século passado, quando se celebraram, em comunidades do interior, festas pela passagem do centenário da chegada dos imigrantes. Com as festas e sua cobertura na imprensa, começou a publicação de memórias, estudos e relatos

Uma coletânea de textos sobre a imigração italiana no Espírito Santo está em fase de edição e vai trazer visões diversificadas sobre o fenômeno migratório que mais influenciou o Estado do ponto de vista econômico, demográfico, cultural e outros, no final do século XIX. Tem o nome de Adeus Itália, está sendo organizado por Kamila Brumatti Bergamini e reúne trabalhos de 21 autores, inclusive europeus. Confira a entrevista com a pesquisadora.