Apresentação

O Forlibi surgiu da necessidade de unir as línguas brasileiras de imigração com o objetivo de instaurar um diálogo permanente entre estas comunidades linguísticas, e se propõe a ser um espaço de pesquisa, mediação e articulação política em variadas frentes para o fortalecimento das mesmas. Reunindo falantes e representantes das línguas de imigração e de instituições parceiras, tem como propósito delinear ações coletivas para a promoção das línguas nas políticas públicas em nível nacional.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

FEIBEMO - Federação de Entidades Ítalo-Brasileiras no Meio-Oeste e Planalto Catarinense

FEIBEMO - Federação de Entidades Ítalo-Brasileiras no Meio-Oeste e Planalto Catarinense

A FEIBEMO foi fundada em 17/08/1996, com sede e foro no município de Caçador-SC, sendo uma sociedade civil, com personalidade jurídica própria, sem fins lucrativos e com duração indeterminada. É de caráter apolítico e seu quadro social é composto por Entidades Ítalo-Brasileiras. Sua abrangência territorial vai da Serra lageana ao Município de Seara-SC entre os limites do Estado com o Rio Grande do Sul e do Paraná. Possui atualmente trinta associadas dos mais diversos municípios de sua abrangência. Expande-se com a língua italiana na rede municipal para o Oeste do Estado.

Tem por finalidade coordenar, orientar e facilitar a operacionalização dos objetivos de suas associadas, visando ao resgate da cultura italiana e favorecer intercâmbios.

Seus principais objetivos são o de promover a língua italiana, resgatar a cultura, a tradição, a memória e os costumes dos imigrantes italianos e introduzir novos mecanismos da cultura italiana, dentre outros.

Cada associada da FEIBEMO promove e desenvolve anualmente um calendário de eventos com atrações específicas com intuito de cultuar e divulgar a cultura italiana trazida pelos imigrantes. A Federação incentiva e apóia essas iniciativas. Favorece também intercâmbios, através da divulgação e devidas orientações para o seu encaminhamento, em especial de estudos, promovidos por diversas Regiões da Itália.

Para maiores informações, acesse aqui o site da FEIBEMO.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Encontro Nacional de Revitalização do Ensino da Língua Ucraniana no Brasil

Encontro Nacional de Revitalização do Ensino da Língua Ucraniana no Brasil

Dia 22 de novembro de 2014 (sábado)
Inicio às 13:00 horas
Rua Augusto Stellfeld, 799 – Curitiba – Sociedade Ucraniana do Brasil - SUBRAS 

São convidados todos os professores de língua ucraniana, os responsáveis pelo ensino da língua nas universidades e sociedades ucranianas civis e religiosas e os interessados em ampliar o ensino da língua ucraniana . 

O objetivo é analisar a atual situação do ensino da língua no Brasil, verificar os projetos existentes, identificar os entraves e apontar linhas de ação para a revitalização do ensino da língua ucraniana no Brasil. 

Confirme a sua presença ! 

Informações : Representação Central Ucraniano Brasileira
E-mail: rcucranianobrasileira@gmail.com | Fone: (041) 9981 5402

Fonte: Representação Central Ucraniano Brasileira

Moradores da Serra Gaúcha tentam salvar o dialeto talian da extinção

Moradores da Serra Gaúcha tentam salvar o dialeto talian da extinção

Os adultos da família Isotton se comunicam em dialeto,
 mas as crianças, apesar de entenderem, resistem em falar.
O reconhecimento da língua como Patrimônio Imaterial do país traz a esperança de que ela renasça do declínio

Por Luísa Martins
Fotos: Anderson Fetter/Agencia RBS

Ainda gritado pelos nonos e nonas mas cada vez mais ausente do repertório das crianças, o dialeto talian, falado por mais de 500 mil descendentes da imigração italiana ao Brasil, está prestes a ser promovido ao status de idioma. No próximo dia 18, um certificado expedido pelo Ministério da Cultura (MinC) vai classificá-lo, em um movimento inédito, como Referência Cultural Brasileira —um título que sinaliza o percurso contrário ao silêncio e traz a esperança de que a língua, em declínio nas últimas décadas, se salve da morte.

A 95 quilômetros de Bento Gonçalves, Serafina Corrêa é a única cidade brasileira em que o talian é idioma co-oficial (lei municipal em vigor desde 2009). Ainda assim, a ritmada língua de erres acentuados e vogais bem pronunciadas está praticamente restrita aos ambientes domésticos. Os mais velhos falam, os adultos respondem e a gurizada, em geral, apenas entende.

— Eu tenho um pouco de vergonha de falar — confessa em português o estudante Enzo Isotton, oito anos.  

Dentro de casa, ele e o irmão Guido, seis anos, conseguem acompanhar o diálogo dos pais e dos avós. Moram todos juntos e, diariamente, dividem a mesma mesa de café da manhã, em um sobrado perdido na zona rural do município, a 10 quilômetros do Centro. Já ouviram, em talian, seu Jeronimo e dona Odila, ambos com 82 anos, contarem sobre o passado de lida no campo, rezarem a novena e reclamarem de uma época em que o acesso à educação era difícil. Na hora de parlar, porém, os meninos emudecem. A mãe, Daniela Ferrari, não tem dúvidas sobre o motivo.

— No colégio, os colegas debocham, riem, fazem piada. É o que acaba os intimidando cada vez mais — diz ela, com a propriedade de quem convive com a situação todos os dias, já que dirige uma escola de Ensino Fundamental.

A palavra para isso não tem origem italiana nem brasileira. O bullying se expressa sem que as crianças sequer tenham consciência de que o Brasil não é feito só da língua portuguesa (a Unesco calcula que, em todo o país, sejam falados 210 idiomas minoritários, 70 deles estabelecidos por imigrantes). Assim, quando algum aluno diz “zeito” em vez de “jeito”, logo começa o cochicho: está errado.

Em vídeo, veja o retrato do Talian:


— Acho que é um tipo de preconceito — afirma Daniela. — Ultimamente, as pessoas têm valorizado tanto quem sabe falar duas línguas clássicas, como português e inglês, por exemplo. Por que conhecer o português e o talian é visto de uma forma diferente?

Não há resposta certa, mas existem desconfianças. A suposição da ex-pesquisadora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Marley Pértile, doutora em Letras e especialista em Linguística Aplicada, com ênfase na área de Bilinguismo e Línguas de Imigração, é a de que, como há o italiano oficial, o talian é frequentemente tachado de língua falsa, um “dialetão de colono”. Visão equivocada, segundo ela:

— Se você se comunica através de uma linguagem, ela é legítima.

O escritor e professor Darcy Loss Luzzatto é o autor do dicionário
português-talian, uma das únicas obras disponíveis para
consulta ortográfica do idioma de imigração.
O receio em falar o talian, afirma o escritor e professor Darcy Loss Luzzatto, também pode ser um resquício da política de nacionalização implementada por Getúlio Vargas durante o Estado Novo, na década de 1940, em uma tentativa de silenciar qualquer língua que não fosse o puro português. Regiões de colonização estrangeira podiam ser secretamente inspecionadas — e não raro quem fosse flagrado conversando em talian, também chamado vêneto brasileiro, ia preso. Àquela época, Luzzatto, ao ajudar a atender um cliente do bar que o pai havia aberto na minúscula Pinto Bandeira (onde nasceu e hoje reside), ouviu:

— Ceo, dame un cichet de caciassa col fernet (Menino, me dá um traguinho de cachaça com fernet).

O homem foi levado pela polícia — uma memória latente até hoje para o escritor. Também não sai da lembrança o dia em que uma professora, na escola, disse que o talian era um dialeto de gente estúpida e ignorante.

— É aquela história: depois que o cara é massacrado, vira brigão — brinca ele, que do desrespeito à lingua-mãe fez nascer as três únicas obras da gramática taliana (Noções de Gramática, História e Cultura, Dissionàrio Talian-Portoghese e Dicionário Português-Talian) e que, toda segunda-feira, encara 100 quilômetros de estrada, ida e volta, para dar uma só aula de talian a um grupo de alunos de Serafina Corrêa, a maioria professoras do ensino básico.

A bibliografia elaborada pelo escritor foi uma das consultadas para a elaboração de um grosso relatório que, enviado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sob a coordenação de Marley, então docente da UCS, radiografa a situação do talian no Brasil. A pesquisa realizada em 2009 aponta, por exemplo, que a perda linguística do talian de uma geração para outra pode chegar a 36% — uma queda significativa se comparada ao fim da década de 1980, em que um levantamento demonstrou perda inferior a 1%.

O documento foi a principal etapa de uma epopeia pelo reconhecimento. Começou em 2001, nove anos antes de o órgão criar o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). Entusiasta do talian, o escritor, poeta e hoje blogueiro em Erechim Honório Tonial, 88, descobriu que existia uma coisa chamada Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Ouviu sobre isso no rádio, durante a Voz do Brasil — noticiário tornado obrigatório, ironicamente, pelo mesmo Vargas que tentou encolher a italianice dos descendentes. Então, por meio da Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul (Fibra/RS), enviou um ofício ao Iphan, que acolheu o pedido e indicou o dialeto como objeto para o projeto-piloto de inventário — com um aporte de R$ 150 mil do MinC. A esperada cerimônia de condecoração será em Foz do Iguaçu (PR), dia 18, durante o Seminário Ibero-Americano de Diversidade Linguística.

Para Paulo Massolini, presidente da Fibra, a oficialização do talian como idioma brasileiro — e primeira língua de imigração a ser reconhecida Patrimônio Imaterial do Brasil — abre precedente para que, finalmente, se reformule o programa de ensino das séries escolares iniciais. Atualmente, do primeiro ao quarto ano do Ensino Fundamental, os alunos têm aulas de italiano regular.

— Que nem de longe é o que representa a nossa cultura — afirma Massolini.

É que o talian surgiu de uma mistura. No século 19, a Itália era dividida por regiões, cada uma com seu dialeto particular. Recém-chegados ao Brasil em busca de um pedaço de terra em um país novo e ainda pouco desbravado, imigrantes de várias regiões (Lombardia, Trentino-Alto Adige, Friuli-Venezia Giulia, Piemonte, Toscana, Ligúria e, principalmente, Vêneto) foram postos em convivência pelos donos das colônias. Precisavam constantemente adaptar seus múltiplos falares para que conseguissem se entender.

— Aos poucos, palavras brasileiras foram sendo inseridas no vocabulário, mas com uma sintaxe veneta — explica o professor Luzzatto.

A palavra “tamanco”, por exemplo, em italiano fala-se “zoccolo”. No talian, acabou virando “tamanchi”.

No entanto, o que Luzzatto tem como grande trunfo do talian pode ser justamente o que, para a professora Marley, é o desafio de inserir o ensino do idioma na grade curricular do ensino básico:

— El talian se lo scrive come se lo parla e se lo parla come se lo scrive (O talian se escreve como se fala e se fala como se escreve).

— E, por isso, é difícil de ensinar — aponta Marley.

O talian é uma linguagem que ainda não está sistematizada gramaticalmente. Muito porque, até a década passada, existia apenas na fala. Era, em suma, uma língua oral, com palavras que, até hoje, permitem duas ou mais pronúncias diferentes.

Está com as famílias, portanto, o poder de resgatar o talian da queda, uma vez que fora de casa quem prevalece é o português. Segundo Marley, alguns fatores favorecem o sumiço gradual do dialeto — o mais importante deles: os pais estão deixando de falar a língua com seus filhos. Algo impensável na casa dos Ziliotto, também em Serafina Corrêa.

Albino e Zelinda Ziliotto culpam a tecnologia pelo
 desinteresse das crianças em valorizar o talian.
Seu Albino, aos 74 anos, não vai carregar qualquer parcela de culpa por deixar o dialeto esmorecer. Não só insiste no talian com seus quatro filhos, 13 netos e quatro bisnetos, mas também na manutenção dos costumes que herdou dos avós italianos. Cita alguns:

— L’è bisogno darghe un bon di, farghe na vìsita ai maladi, cognosser la colònia. Ghe ze gente che vien del paese che no sà gnanca cossa che sia un fogon a legna (Tem que dar bom dia, visitar os doentes, conhecer a roça. Tem gente que vem lá da cidade e não sabe nem o que é um fogão a lenha).

Ele e a mulher, Zelinda, presenças assíduas nos filós (encontros de famílias italianas, cheios de comes, bebes, cantorias e causos), tiram o sustento com a produção de queijos, salames e vinhos, entre outras iguarias tradicionais, e têm uma ideia fixa sobre quem é a verdadeira destruidora do talian: a tecnologia.

— A gente até tenta conversar com as crianças, mas depois que veio a tevê e o tal de computador, ninguém mais consegue a atenção da piazada — diz Albino, com a anuência de Zelinda.

O locutor e animador Edgar Marostica tenta ir na contramão. Palestras e programas de rádio posicionam o talian de uma maneira engraçada, mas no contexto da história dos imigrantes italianos na região.

— É uma maneira de, através de uma brincadeira, despertar as crianças para a importância da sua origem. O meu filho de dois anos entende tudo o que eu digo e já ensaia as primeiras palavras em talian — relata o humorista.

Do convívio com a avó, Simone se tornou fluente em talian,
 mas depois de ir para a escola, foi se aquietando: hoje, só fala o básico.
Algo que também aconteceu com a pequena Simone Bedin, seis anos. Está sendo alfabetizada em português, mas em casa, só fala o talian.

— É que a minha nona não entende outra língua — se explica.

Os avós da nona chegaram da Itália ao Brasil na virada para o século 20. Como não foi à escola e passou boa parte da vida ajudando os parentes a cuidar de um pedacinho de terra em Guaporé (cidade da qual Serafina Corrêa fazia parte antes de se emancipar), Antonia Bedin, 81 anos, não aprendeu uma palavrinha sequer em português. Dos diálogos em talian sobre o cotidiano das lidas campeiras, fez-se uma neta fluente no idioma imigrante.

Quando entrou na escola, dois anos atrás, a menina era uma tagarela do talian, conta a professora Isabel Bazza. Foi se aquietando ao longo do tempo e, hoje, fora do convívio familiar, só fala o bê-á-bá: nome, idade, comida preferida. Às vezes, como se um botão fosse acionado dentro dela, desata a falar, normalmente após o estímulo de um questionamento feito em dialeto. Se Simone ouvir alguém perguntando, em talian, quais bichos ela tem em casa, virá a resposta rápida (e um sopro de esperança aos que querem ver o talian renascer):

– Gat, can, galina, porco, vaca, beco (Gato, cachorro, galinha, porco, vaca, cabrito).

Fonte: Zero Hora

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Lançado o livro "Fá d’ambô: herança da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial"

Lançado o livro "Fá d’ambô: herança da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial"

Rosângela Morello e Gilvan Müller de Oliveira
Em 15 de outubro de 2014, durante o Colóquio A Língua Portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI, realizado em Belo Horizonte no Campus II do CEFET de Minas Gerais, foi lançado o livro Fá d’ambô: herança da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial. 

O livro assinado por Armando Zamora Segorbe (Linguista e professor da Universidade Nacional da Guiné Equatorial), Gilvan Müller de Oliveira (Linguista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina) e Rosângela Morello (Linguista e Coordenadora Geral do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística) é resultado de pesquisas realizadas em campo, em 2012, como parte de um protocolo de cooperação entre o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e o Governo da Guiné Equatorial.  As temáticas abordadas pelos autores promovem uma visibilização das relações histórico-culturais do fá d’ambô com a língua portuguesa na Guiné Equatorial e situam questões para a gestão dessas e outras línguas no país.  A publicação do livro dialoga, ainda, com as ações em torno da promoção da língua portuguesa no país decorrente de sua oficialização ocorrida no final de 2011. Conforme Oliveira, a Guiné Equatorial é hoje o único país do mundo cujos idiomas oficiais são as três grandes línguas românicas (o espanhol, o francês e o português). 

A República da Guiné Equatorial, que desde julho de 2014 faz parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), situa-se no oeste da África Central e seu território é constituído por províncias continentais e insulares. Dentre as províncias insulares da Guine Equatorial encontra-se a ilha de Ano Bom, onde atracaram os portugueses em 1471, período das grandes navegações, deixando nesse lugar sua herança linguística hoje verificada no fá d’ambô, crioulo de base lexical portuguesa. 

O livro expõe um breve panorama histórico da ilha de Ano Bom em sua relação com a língua portuguesa, situa a história do fá d’ambô, descreve diversos aspectos linguísticos da ‘língua annobonesa’, nas palavras de Segorbe, bem como analisa o fá d’ambô no contexto plurilíngue da Guiné Equatorial a partir de dados coletados por meio de um intenso trabalho em campo realizado segundo a metodologia de diagnósticos linguísticos e sociolinguísticos. As pesquisas de campo foram desenvolvidas em março de 2012 em Malabo (capital do país) e entorno entre comunidades annobonesas e na pequena ilha de Ano Bom, sob a coordenação da Profa. Dra. Rosângela Morello.

Conforme as palavras de Oliveira, então Diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, o livro contribui para “a compreensão das regiões onde o português é usado, ou onde fenômenos linguísticos que tiveram sua origem no português ocorrem”.

Em entrevista realizada com Morello por ocasião do lançamento do livro, a autora relaciona o crescimento de interesse pela língua portuguesa com a renovação de pesquisas sobre os crioulos de base lexical portuguesa: “Esperamos que esse livro possa continuar dando abertura para a reflexão sobre o que é a Língua Portuguesa no mundo. Compreendemos que tem havido um crescimento no interesse do Brasil pelos demais países africanos, onde a língua portuguesa também é falada. Espero que esse livro possa subsidiar novas pesquisas e esse trabalho possa gerar novos interesses”. 

O livro foi publicado pelo IILP com aporte do Programa de Apoio às Iniciativas Culturais dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PAIC-PALOP) dos Fundos ACP (África-Caraíba-Pacífico) e, principalmente, com a contribuição do Governo da Guiné Equatorial.

Fonte: e-Ipol.org

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Libras e Hunsrückisch serão línguas inventariadas no âmbito do INDL

Libras e Hunsrückisch serão línguas inventariadas no âmbito do INDL

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) divulgou o resultado da habilitação e avaliação das propostas do Edital de Chamamento Público 004/2014 – Identificação, Apoio e Fomento à diversidade linguística no Brasil – Línguas de Sinais, Línguas de Imigração e Línguas Indígenas.

Entre as propostas aprovadas estão o Inventário da Língua Brasileira de Sinais e o Inventário do Hunsrückisch (hunsriqueano) como língua brasileira de imigração, ambas com parceira do IPOL.

O Inventário da Libras é uma parceria entre o IPOL e a UFSC, e terá por foco a sistematização de dados sociolinguísticos dessa língua utilizando a produção acadêmica e a população envolvida em cursos de formação à distância da UFSC coordenados pelos profs. Ronice Quadros e Tarcisio Leite e uma coleta específica na região da grande Florianópolis.

O Hunsrückisch (hunsriqueano) será desenvolvido pelo IPOL e pela UFRGS, e tem por base o Projeto ALMA, coordenado pelo prof. Cleo Altenhofen, o qual será ampliado desde a perspectiva do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). Além disso, abrangerá novas comunidades linguísticas, especialmente no Espírito Santo.

As pesquisas serão desenvolvidas por pesquisadores do IPOL e das instituições parceiras, em estreito diálogo com as comunidades de falantes, e com o IPHAN. O objetivo é que ambas as línguas sejam reconhecidas como referência cultural brasileira, como está previsto no âmbito da política do INDL.

Para a Coordenadora Geral do IPOL, Drª Rosângela Morello, "a realização desses projetos são importantes ações na direção da implementação do INDL e podem aportar novas contribuições tanto do ponto de vista metodológico quando das articulações políticas seja com os falantes, seja com instâncias do poder público, visando a plena instalação da política do INDL".

O INDL foi criado pelo Decreto federal nº 7.387, de 09 de dezembro de 2010. De acordo com o relatório do Grupo de Trabalho que instituiu as diretrizes para o INDL,

O Inventário permitirá ao Estado e à sociedade em geral o conhecimento e a divulgação da diversidade linguística do país e seu reconhecimento como patrimônio cultural. Esse reconhecimento e a nomeação das línguas inventariadas como referências culturais brasileiras constituirão atos de efeitos positivos para a formulação e implantação de políticas públicas, para a valorização da diversidade linguística, para o aprendizado dessas línguas pelas novas gerações e para o desenvolvimento do seu uso em novos contextos.

Ao todo foram aprovados seis projetos nas três categorias. Quanto aos projetos propostos pelo IPOL e parceiros, o Libras foi classificado em 1º lugar na categoria Línguas de Sinais e Hunsrückisch foi o único a ser aprovado na categoria Línguas de Imigração.

Para maiores detalhes, baixe aqui o arquivo com o resultado da habilitação e avaliação de propostas do IPHAN.

Fonte: e-Ipol.org

sábado, 18 de outubro de 2014

Viana do Castelo, Portugal: Relançamento de património imaterial Galego-Português

Viana do Castelo, Portugal: Relançamento de património imaterial Galego-Português

O presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e presidente da Rede Internacional de Entidades Transfronteiriças - RIET, José Maria Costa, marcou ontem presença no décimo aniversário da apresentação da Candidatura do Património Imaterial Galego-Português da UNESCO, na sede do Conselho da Cultura Galega, em Santiago de Compostela.

A sessão, organizada pela Associação Cultural e Pedagógica Ponte…nas ondas! com o apoio de instituições da Galiza e de Portugal, integrou intervenções de representantes de várias entidades como do Museu do Povo Galego, da Secretaria de Política Linguística da Xunta da Galicia, Direcção Geral de Relações Exteriores e da União Europeia e do Presidente do Conselho da Cultura Galega.

De lembrar que, há dez anos, um grupo de professores da Associação entregou na sede da UNESCO em Paris a Candidatura do Património Imaterial Galego-Português, sendo a primeira a ser promovida por escolas dos dois países da União Europeia. A candidatura, que suscitou grande adesão na Galiza e em Portugal, defende a identidade história dos dois países: para além dos castelos, conventos e monumentos, também os sons, os gestos, os dizeres e a língua mostram uma identidade história para preservar enquanto elementos culturais delicados, postos em causa muitas vezes pela História.

A sessão comemorativa de ontem serviu para reavivar todo o processo de candidatura, que renasce agora com uma nova campanha.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Seminário no IPOL desvenda histórias da imigração no Brasil

Seminário no IPOL desvenda histórias da imigração no Brasil

Peter Lorenzo, Cíntia Vilanova e Alberto Gonçalves
Na sede do IPOL em Florianópolis, realizou-se no dia 02 de outubro o seminário “Histórias da Imigração no Brasil”. Apresentado por Alberto Gonçalves, contou com a presença da coordenadora do IPOL, Rosângela Morello, além de Peter Lorenzo e Cíntia Vilanova. No seminário, apresentou-se um levantamento sobre a heterogeneidade de histórias referentes aos imigrantes europeus e asiáticos no Brasil, abrangendo o recorte temporal desde o início do século XIX até as primeiras décadas do séc. XX.

As informações apresentadas no seminário fomentaram novas questões e encaminhamentos ao projeto “Receitas da Memória, os sabores da imigração em Documentário”, convênio financiado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – e executado pelo IPOL, através de Edital PNPI/2013.

Alberto Gonçalves e Rosângela Morello
O projeto, como seu título indica, prevê a realização de um documentário que abordará o caminho de sabores e memórias da imigração no Estado de Santa Catarina, apresentando ao público brasileiro a história de imigrantes e suas referências identitárias.

A condução do trabalho pretende dar relevância a aspectos da história, da memória e da língua dos imigrantes, tendo como principal fio condutor as receitas culinárias e seus pratos, os ingredientes, sabores e costumes, com o objetivo de contar a história na perspectiva do grupo de imigrante e assim valorizar e legitimar seus saberes e os modos pelos quais se transformaram de geração em geração na interação com outras culturas no Brasil.

A equipe do projeto “Receitas da Memória, os sabores da imigração em Documentário” procura, desse modo, contribuir para a promoção das comunidades de imigração, dando sustentabilidade às suas práticas culturais e linguísticas.


Fonte: e-Ipol.org