Apresentação

O Forlibi surgiu da necessidade de unir as línguas brasileiras de imigração com o objetivo de instaurar um diálogo permanente entre estas comunidades linguísticas, e se propõe a ser um espaço de pesquisa, mediação e articulação política em variadas frentes para o fortalecimento das mesmas. Reunindo falantes e representantes das línguas de imigração e de instituições parceiras, tem como propósito delinear ações coletivas para a promoção das línguas nas políticas públicas em nível nacional.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Inventário irá promover língua pomerana em nível nacional

Foto: Leonardo Meira

Inventário irá promover língua pomerana em nível nacional

Leonardo Meira

Com um trabalho intenso, de mais de 10 anos, a língua pomerana finalmente será reconhecida no Inventário das Línguas Brasileiras. Bastante discutida, debatida e avaliada, a proposta foi uma das 20 selecionadas no Edital de Chamamento Público do Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, do Ministério da Justiça. 

O Inventário da Língua Pomerana (ILP) se alinha à Política do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), desenvolvida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e toma por base o Guia para Pesquisa e Documentação, que orienta essa política. 

Sua concepção e proposta de execução é parte de uma parceria que vem se consolidando desde 2007, e que envolve o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL), sediado em Florianópolis, Santa Catarina, e instituições e pesquisadores do Espírito Santo, estado onde estão concentradas as comunidades pomeranas focalizadas na proposta. 

Mas o que isso quer dizer? Quer dizer que o pomerano, inicialmente no Espírito Santo, será legitimado como uma das línguas inventariadas nacionalmente, assim como já acontece com as línguas guarani mbyá, talian e asurini do trocará, reconhecidas como referência cultural brasileira pelo Iphan e que fazem parte do INDL. 

A linguagem dos pomeranos já é reconhecida como patrimônio cultural pela Constituição do Espírito Santo e também é língua cooficial em cinco municípios do Estado: Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Vila Pavão, Pancas e Laranja da Terra. 

O trabalho de inventariar a língua pomerana reunirá conforme a metodologia do INDL, informações sobre a situação sociolinguística atual das comunidades pomeranas, dando especial atenção aos âmbitos de uso e formas de circulação da língua, fotos, mapas, documentos históricos, cultura, entre outras formas de pesquisa. 

O corretor Lourival Berger colocou-se à disposição para contribuir com pesquisa - Foto: Leonardo Meira

Parcerias - Será um trabalho coletivo, em parceria com o IPOL, prefeituras, associações, instituições de pesquisa entre outros. A professora Sintia Bausen Küster, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que está envolvida no projeto, ressalta que a iniciativa do ILP configura apenas uma etapa do trabalho de inventário da língua pomerana, que nesta primeira empreitada abarcará em torno de 13 municípios de maior presença pomerana no Espírito Santo.

Posteriormente, segundo ela, poderá agregar dados de outras regiões do Brasil que também possuem falantes do pomerano. Sintia salienta ainda que assim que o financiamento estiver à disposição, será formada uma equipe de trabalho que envolverá atores locais, ou seja, das próprias comunidades, especialmente falantes. 

É o caso do senhor Lourival Berger Bausen, de 63 anos, um corretor de imóveis, apaixonado pela história e tradição pomerana e que já se “voluntariou” para participar da pesquisa. “Esse projeto é extremamente necessário. Não vamos desaparecer do mapa. Ao contrário, vamos existir, aparecer, nos mostrar para o mundo. Não precisamos ter medo de sermos pomeranos. Precisamos nos orgulhar. Nós existimos”, poetizou Bausen. 

Ele lembrou que a história dos pomeranos quase acabou após a 2ª Guerra Mundial e que, somente ao final dos anos 1980 é que a cultura pomerana foi resgatada. O ILP, através da pesquisa e da disponibilização de conhecimento sobre a mesma, salvaguarda ações de promoção dessa língua na educação, nas artes, na cultura, nas ciências, nos direitos linguísticos e se torna referência cultural brasileira. 

“Essa proposta do Inventário vem em um momento de grande importância no cenário de legitimação da língua pomerana no Espírito Santo, uma vez que já existem outros municípios cooficializados por meio de lei municipal e estadual”, afirma Sintia. 

O Espírito Santo é referência na língua pomerana, mas o idioma também é falado em pequenas comunidades de outros estados brasileiros, como Minas Gerais, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Fora do Brasil há relatos da língua pomerana nos Estados Unidos e também na Austrália. Na Alemanha, a língua, hoje, é praticamente desconhecida. 

Língua pomerana é ensinada em escolas da região
Um dos projetos que visa manter viva a língua pomerana entre os filhos de descendentes é o Programa de Educação Escolar Pomerana (Proepo). Sintia Bausen Kuster, que já foi coordenadora Proepo em Santa Maria de Jetibá, ressalta que o programa, que vinha sendo discutido desde 1991 e passou a funcionar a partir de 2005 nas escolas municipais, foi um dos grandes impulsionadores da tradição e vivência da língua pomerana. 

“Acredito que sem o ensinamento da língua nas escolas essa referência de identidade cultural poderia acabar. Assim como o projeto do inventário, o Proepo vem de uma discussão e debates de longa data por defensores e estudiosos, justamente quando se percebeu que a língua pomerana poderia perder sua identidade. Por isso corremos atrás desse objetivo de manter a língua viva, e inventariá-la significa produzir conhecimento sobre a mesma e reforçar todo o trabalho que já vendo sendo realizado por diferentes instituições, pesquisadores e militantes no intuito de garantir a sua vitalidade”, enfatizou. 

Além de Santa Maria de Jetibá, moradores de Domingos Martins, Pancas, Vila Pavão, Laranja da Terra, Itarana e Afonso Cláudio utilizam a língua no dia a dia das comunidades e nas escolas. "Desde pequenas, as crianças ouvem o pomerano em conversas dentro de casa. As primeiras palavras são, geralmente, em pomerano. Por isso, é importante manter viva nossa língua materna", diz Guerlinda Westphal Passos, coordenadora do Proepo.

"Antes, as crianças tinham receio de vir à escola, porque, muitas vezes, não sabiam falar o português corretamente. Isso aconteceu comigo. Quando fui à escola não entendia nada em português. A professora perguntou o meu nome e eu não sabia responder. Minha prima me deu uma ‘cotoveladinha’ e, em pomerano, disse: 'Fala seu nome!' Só aí respondi. Hoje, acontece o contrário. O pomerano e o português convivem em harmonia para o bem da nossa cultura", conta a coordenadora, que é professora e descendente de pomerano. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Lançado livro “Pomeranos no Brasil: olhares, vozes e histórias de um povo”

Livro “Pomeranos no Brasil” é lançado no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo

Os pomeranos, que chegaram ao Brasil a partir da segunda metade do século XIX, têm hoje a sua língua oficializada, junto ao português, em cinco municípios capixabas. Para abordar a saga desse grupo de imigrantes europeus que escolheu o país em busca de novas oportunidades, foi lançado no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, nesta quarta-feira (02), às 19h, o livro “Pomeranos no Brasil: olhares, vozes e histórias de um povo”.

A obra é uma iniciativa dos doutorandos do curso de Sociologia do Instituto de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e contou com a participação dos seguintes especialistas e estudiosos: Ismael Tressmann, Joana Bahia, Patrícia Weiduschadt, Regina Rodrigues Hees, Rosemeire Silva de Souza, Ivan Seibel, Maria Verônica Aguilera e os organizadores Sandra Márcia de Melo e Marcos Teixeira de Souza. Nela, os autores discorrem sobre temas como os aspectos da fala, as categorias lexicais e o cotidiano, a cultura, história e identidade dos pomeranos no Espírito Santo, com destaque ao município de Santa Maria de Jetibá e o Rio Grande do Sul.

Pomeranos no Brasil
Na apresentação da obra o professor Jacques d’Adesky destaca que a falta de terras, o excesso de trabalho e a precariedade de direitos foram alguns dos motivos que levaram pessoas da Pomerânia Oriental a buscarem no Brasil uma nova vivência. Entretanto, as condições de pobreza e as dificuldades que encontraram na “terra dos sonhos” não diferiam muito da servidão feudal em que viviam no velho continente.

Segundo d'Adesky o conjunto dos textos presente no livro permite ao leitor observar o assunto através de olhares e ângulos diversos. “Cada uma dessas abordagens levanta questões que se fundem e se complementam. O cruzamento desses trabalhos possibilita desmistificar alguns clichês e estereótipos que persistem como voz corrente até os dias de hoje de que a interação dos migrantes pomeranos foi cordial e harmoniosa com os locais” comenta. 

Informações à imprensa:
Arquivo Público do Estado do Espírito Santo
Jória Motta Scolforo
3636-6117/99633-3558
comunicacao@ape.es.gov.br
Instagram: ArquivoPublicoES

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Pomeranos do Espírito Santo negociam frutas e verduras na língua típica

Reportagem do G1/ES apresenta pomeranos do Espírito Santo negociando frutas e verduras na língua pomerana.

Clique aqui para acessar o vídeo.

Fonte: G1/ES

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Bento Gonçalves-RS sediou o 19º Encontro dos Difusores do Talian e V Fórum da Língua Talian

Nos dias 13, 14 e 15 de novembro de 2015, o município de Bento Gonçalves sediou a 19ª edição do Encontro Nacional dos Difusores do Talian e V Fórum Brasileiro da Língua Talian. Os eventos foram promovidos pela Associação dos Difusores do Talian (ASSODITA) e pela Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul (FIBRA/RS) e reuniram entidades italianas, radialistas e difusores do Brasil.

Na sexta-feira, 13, as palestras foram proferidas por Ana Paula Seiffert, do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística – Florianópolis – SC; e José Clemente Posenato - da Universidade de Caxias do Sul – RS.

O sábado, 14 de novembro, teve a participação de diversos profissionais: 
- Talian come se scrive e se parla.  Darcy Loss Luzzatto - Pinto Bandeira – RS,   Júlio Posenato – Porto Alegre – RS.
- Talian ensino na rede privada  Aladir Ferro – Serafina Corrêa – RS.
- Talian Língua Cooficial ao Português – Experiência Municipal,  Morgana Rech – Serafina Corrêa – RS.
- Talian na Diversidade Linguística Nacional, Paulo Massolini – Pres. FIBRA  -Língua Talian como Comunicação. Representando (AGERT) Roberto Cervo – Porto Alegre – RS.
- O Jovem e a Língua Talian,  Alex Eberle – Flores da Cunha – RS.
- Diversidade Linguística e Governo, João Tonus – Caxias do Sul.
- Lançamento do livro “Croniche de un Talian”

20:30 - JANTAR FESTIVO    
- SECONDA NOTE VÈNETA.
- ENTREGA TROFÉU E DIPLOMA MÈRITO TALIAN E 140 ANOS DA IMIGRAÇÃO ITALIANA.
- BAILE COM MUSICAL GIRAMONDO.
- Local: Sociedade Educativa Barracão.

No dia 15 (domingo):
09:00H - Fé e religiosidade Dei Nostri Taliani – Ato Religioso com Pe Alberto Treméa
- Temas livres
- Microfone aberto.
- Meios de Comunicação e Site da ASSODITA.
- Carta de Bento Gonçalves.
- Assuntos Gerais.

O encerramento aconteceu no almoço na Comunidade Linha Paulina e na oportunidade foi decidido que o próximo encontro será em São Miguel D'Oeste – SC.

Agradecemos a presença de todos os participantes, Radialistas, palestrantes, difusores, imprensa e a todos que contribuíram para o sucesso deste evento.

Fonte: ASSODITA

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Língua talian é cooficializada em Nova Roma do Sul-RS

O talian agora é a língua cooficial de Nova Roma do Sul!

Ficou estabelecido pela Lei municipal nº 1.310, de 16 de outubro de 2015, que o Município de Nova Roma do Sul-RS agora conta com o “talian” como língua cooficial. O talian é a formação linguística proveniente dos diversos dialetos falados pelos imigrantes italianos que aqui se estabeleceram.

A lei foi criada como um projeto de valorização da herança linguística e cultural para garantir a preservação do patrimônio imaterial de nosso povo. É uma forma de conscientizar a população a proteger o “talian” como forma de identidade de cidadania.

A partir de agora o trabalho será no sentido de incentivar o conhecimento da língua, em especial para as novas gerações, e como forma importante de implementar esse plano educacional a favor do “talian” é desenvolver mecanismos de aceitação cultural, fornecer material didático e instrumentalizar a formação de profissionais para o ensino da língua. Outro aspecto importante é os meios pelos quais irá ser desenvolvida a aprendizagem, a prioridade é ensinar através da construção de vivência local elaborada ao longo do tempo, ensinando, resgatando e preservando a cultura, usos, costumes e tradições familiares através do “talian”.

domingo, 18 de outubro de 2015

Lançada segunda edição do "Dicionário Português Talian"

Corag lança 2ª edição do Dicionário Português-Talian

Em cerimônia realizada no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, foi lançada a 2ª edição do "Dicionário Português-Talian", de autoria do professor Darcy Loss Luzzato e editado e impresso pela Corag. No evento ocorrido nesta quarta-feira, 14/10, estiveram presentes prefeitos, secretários estaduais e municipais, comitivas de diferentes cidades, além do governador José Ivo Sartori, primeira dama Maria Helena Sartori, presidente da Corag Vinicius Ribeiro e da diretora administrativa e de negócios da Corag, Eloá Nespolo. Na ocasião também ocorreu a apresentação do Filó de Vila Flores, importante divulgador das tradições italianas em solo gaúcho. Os eventos foram alusivos aos 140 anos da Imigração Italiana. 

Assista abaixo vídeo com reportagem sobre o lançamento (ou acesse aqui).


A publicação chegou à sua segunda edição devido ao grande sucesso e esgotamento dos exemplares da 1ª edição. Para Vinicius Ribeiro, uma empresa pública não deve apenas se preocupar em apresentar resultados fiscais e econômicos de eficiência e qualidade; o compromisso social deve ser parte fundamental em suas iniciativas. "A Corag tem esse caráter de apoio e incentivo à produção literária e legado cultural do Rio Grande do Sul. Investindo no resgate da identidade e história da imigração italiana, através do Dicionário Português-Talian, apenas provamos que, para que nossas ações sejam universais, devemos estar sempre próximos ao que faz parte de nossas origens", afirma.

O Talian é o dialeto falado pelos primeiros imigrantes italianos vindos ao Estado. Falado por mais de 500 mil descendentes da imigração italiana ao Brasil, é uma língua de origem neolatina, única no mundo, baseada em dialetos vênetos e formada no Brasil a partir dos imigrantes que aqui chegaram. O idioma foi reconhecido no ano de 2014 como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e língua de Referência Cultural do país pelo Ministério da Cultura.

Fonte: Corag

sábado, 17 de outubro de 2015

Hunsrückisch é destaque em canal de televisão na Alemanha

Hunsrückisch é destaque em canal de televisão na Alemanha

A língua hunsriqueana falada no sul do Brasil foi apresentada no início do mês em programa transmitido pelo canal SWR Fernsehen, do estado Rheinland-Pfalz (Renânia-Palatinado), localizado no sudoeste da Alemanha. No vídeo divulgado na página do canal na internet, é exibida a entrevista com o professor Cleo Vilson Altenhofen (UFRGRS), lingusta e pesquisador do Hunsrückisch. Altenhofen também coordena o Inventário do Hunsrückisch (hunsriqueano) como língua brasileira de imigração, uma parceria do IPOL com o IPHAN e o Projeto ALMA-H da UFRGS. 

Clique aqui para assistir e baixar o vídeo com a entrevista.

Fonte: e-IPOL

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Westfália-RS participa do 1º Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues

Sieben (e), Oliveira, Ahlert e Landmeier - Foto: Divulgação

Município participa do 1º Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues

A cultura de Westfália foi destaque no 1º Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues, realizado em Florianópolis (SC), de 23 a 25 de setembro. Uma comitiva westfaliana esteve representada pelo vice-prefeito, Otávio Landmeier, secretário de Educação e Cultura, Gustavo Sieben, e professor Lucildo Ahlert, que enalteceram a tradição do dialeto sapato-de-pau e da língua alemã no Município. Na quinta-feira, dia 24, das 15 horas às 16h30min, no Bloco B do auditório Henrique Fontes, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Trindade - Florianópolis, o tema central foram as Políticas Linguísticas e Línguas de Imigração. 

Na oportunidade, o professor Lucildo Ahlert falou da cultura westfaliana: percepções sobre a sua realidade, importância e expectativas futuras no Município de Westfália. Como orador, ele enalteceu a língua do sapato-de-pau com o estudo do dialeto e resgate à cultura de origem alemã. ’Foi uma oportunidade importante para Westfália demonstrar seu potencial cultural. Há vários anos nos reunimos para o estudo do sapato-de-pau e ter essa notoriedade em um evento nacional é a certeza de que estamos no caminho certo. O professor Lucildo foi muito bem na explanação e pudemos trocar muitas experiências’, enalteceu Landmeier.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

1ºENMP é destaque no Portal Galego da Língua


Gilvan Müller de Oliveira: «É importante preservar e reconhecer porque as línguas são recursos para o país»

Idealizador do Encontro de Municípios Plurilíngues defende intercâmbio entre Brasil e Galiza

Por José Carlos da Silva  

A capital catarinense, Florianópolis, receberá entre os dias 23 e 25 de setembro um evento que poderá causar estranheza em muitos brasileiros, trata-se do 1º Encontro Nacional dos Municípios Plurilíngues (ENMP), que ocorrerá no Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A estranheza fica por conta da ‘certeza’ de muitos de que o Brasil é um país monolíngue, ou seja, fala apenas a Língua Portuguesa.

E o O 1º ENMP propõe uma troca de experiências sobre a política de cooficialização das línguas no Brasil, além discutir o panorama, mapeamento e regulamentação da diversidade linguística no país. Desde a iniciativa do município amazonense de São Gabriel da Cachoeira em 2002, que deu caráter cooficial a três línguas indígenas, 16 municípios brasileiros já cooficializaram línguas. Em Santa Catarina, a língua alemã em Pomerode e o dialeto germânico Hunsrückisch em Antônio Carlos tornaram-se cooficiais em 2010.

Um dos principais pesquisadores e orientadores da causa dos municípios plurilíngues é o Professor Doutor Gilvan Müller de Oliveira, pesquisador do IPOL – Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística.

O Portal Galego da Língua conversou com o pesquisador sobre o Plurilinguismo, a gestão da educação e da questão da Galiza, Precisamente, o professor afirma que a Galiza desenvolveu sistemáticas importantes para o acompanhamento da evolução demolinguística dos falantes que seriam muito úteis para o caso das línguas brasileiras.

Quantas línguas são faladas no Brasil?

O Brasil está entre os 10 países mais multilíngues do mundo, com um repertório de cerca de 240 línguas, das quais 180 línguas indígenas, 56 línguas de imigração, pelo menos duas línguas de sinais e pelo menos dois crioulos do francês na fronteira com a Guiana Francesa. No entanto, não é muito fácil determinar um número preciso, seja porque o Brasil não tem uma pergunta sobre as línguas faladas no país no censo demográfico, como outros países têm, seja porque o quadro é mutável. Veja, por exemplo, que hoje há dezenas de milhares de falantes de crioulo do Haiti, por causa da expressiva imigração de haitianos para o Brasil, língua que não estava representada no Brasil até há cerca de 8 anos.

Em quantos municípios estão distribuídas e qual a quantidade estimada de falantes dessas línguas (bilíngues ou plurilíngues)?

Esse é um dado que não temos, justamente pela ausência de censos linguísticos extensivos. Somente o censo de 1940 perguntou aos brasileiros que língua falavam no lar, mas como parte de uma política de repressão às línguas, em especial as de imigração, e depois novamente o censo de 1950, para ver se a repressão tinha surtido efeito. Temos tentado trazer de novo para o censo um interesse pelo repertório linguístico dos brasileiros desde a edição de 2010, mas com sucesso apenas parcial até agora: no censo de 2010 foi feita uma pergunta sobre as línguas faladas apenas para aqueles cidadãos que se auto-declararam indígenas, e não para a generalidade dos cidadãos, com o que se obtiveram dados sobre o conjunto das línguas que se conhece melhor, que são justamente as línguas indígenas ou ameríndias. A questão linguística seria estratégica para o censo de 2020, e precisaria ser incluída.

Dito isso, podemos considerar que há um conhecimento diferenciado das línguas: mais conhecimento das línguas ameríndias, já que os chamados indígenas sempre foram um segmento “administrados” por agências governamentais especializadas, como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), por exemplo, e  menos conhecimento das línguas de imigração, que na concepção do governo, até muito recentemente, deveriam desaparecer.

Por que aprendemos e é divulgado nos meios de comunicação e livros que o Brasil é monolíngue? É fruto do Estado Novo ou da Ditadura Militar?

O Estado-Nação tentou historicamente se legitimar pela identificação com um “povo” – unido e unificado, que na maioria das vezes foi invenção deste mesmo Estado. O Brasil, como outros Estados, apostou nesta equação “um Estado, um povo, uma língua” ao longo de praticamente toda a sua história e as políticas linguísticas foram conduzidas no sentido de invisibilizar as línguas e as diferentes culturas, ou de desmoralizá-las e finalmente extirpá-las do corpo da nação. O Estado Brasileiro, no entanto, apenas continuou as políticas coloniais já formuladas antes da sua independência, como foi o caso do Diretório dos Indios do Marquês de Pombal, de 1757, que visava a eliminação da Língua Geral, ou Nheengatu, da Amazônia, e a sua substituição pelo português. De modo que o projeto de tornar o “povo” monolíngue em português não é um empreendimento do século XX, e portanto, não foi inventado nem pelo Estado Novo (1937-45) nem pela Ditadura Militar (1964-85), embora ambos os regimes tenham dado continuidade a esta posição da longue durée na história do Estado Brasileiro. Só muito recentemente, após a Constituição de 1988, o Brasil tem entrado, lentamente, em uma nova fase, primeiro tolerando, e depois iniciando tímidos esforços no sentido de reconhecer e iniciar o processo de promoção das línguas brasileiras.

Qual a importância da preservação das línguas para a cultura e identidades brasileiras, uma vez que línguas estrangeiras também fazem parte desse contexto plurilíngue?

Em primeiro lugar, vamos esclarecer a sua pergunta sobre se as línguas estrangeiras fazem parte do contexto plurilíngue do Brasil.

O contexto plurilíngue brasileiro inclui todas as línguas brasileiras, isto é, aquelas línguas faladas por cidadãos brasileiros, em regime de comunidade, em território nacional, em especial aquelas aclimatizadas no país há mais de três gerações, como é o caso do alemão. Assim, o alemão, o italiano, o japonês, o polonês e tantas outras não são línguas estrangeiras, isto é, faladas por estrangeiros, mas línguas brasileiras, dos vários povos que ajudaram a construir o Brasil e integram a múltipla cidadania brasileira. Desse modo, começa a ser corrigida a ideia de que estas línguas são “estrangeiras”, ideia divulgada sobretudo pelo Estado Novo, que concebia que os brasileiros de outras origens étnicas que não os luso-brasileiros eram “quistos étnicos” e que podiam formar uma “quinta coluna” contra o país e que deviam ser “nacionalizados, à força se preciso, quando na verdade já eram “nacionais” ao seu modo e nas suas línguas, como mostra o fato de que o maior heroi de guerra do Brasil na Segunda Guerra Mundial no teatro de operações da Itália, lutando contra as forças nazistas, tenha sido justamente um teuto-brasileiro chamado Max Wolf Filho.

Naturalmente, estas línguas podem ser também estrangeiras quando ensinadas nas escolas ou cursos usando uma metodologia de língua estrangeira e focadas nos países que as falam em caráter oficial, mas não é o caso para as centenas de milhares de brasileiros que as falam no lar e as aprenderam como materna no contexto doméstico. É preciso diferenciar os contextos: quando o Goethe Institut ensina o alemão no Brasil se trata de uma língua estrangeira, mas quando o município de Pomerode, em Santa Catarina, oficializa o alemão através de uma lei ordinária da Câmara de Vereadores, se trata de uma língua brasileira, gerida com recursos brasileiros e materna para mais de 80% dos munícipes.

A preservação, e mais do que isso a promoção, das línguas brasileiras é importante, por um lado, porque as línguas são recursos para o país, recursos de conhecimento, para o estabelecimento de relações de vários tipos, para o acesso a conhecimentos históricos nelas gerados, mas também o seu reconhecimento é um importante fator de governança, de inclusão e justiça social. Assim como o Brasil costuma ser louvado porque o seu povo tem gente de todas as origens, é importante no futuro que sejamos louvados por falarmos diversas línguas e ainda por termos o português como língua que não ameaçará mais a existência e a reprodução das demais, como fez massivamente no passado.

Essas línguas faladas no Brasil configuram-se mais como fronteiras levantadas ou “pontes” de aproximação e compartilhamento de culturas?

Conforme disse acima, ainda é preciso uma longa caminhada até chegarmos a um uso mais público das 240 línguas brasileiras, ainda é preciso superar muita vergonha, medo e discriminação. Por enquanto elas estão meio escondidas, são faladas dentro das casas, em aldeias ou regiões rurais, onde os falantes estão entre si, ou em bairros etnicamente diferenciados, raríssimamente nos meios de comunicação, nas instituições. As pontes estão sendo ainda construídas, com muitas dificuldades.

Como pode (ou deve) ser uma gestão de línguas, de modo a contemplar a educação formal e desenvolver a cultura local e nacional?

Desde a Constituição de 1988 e mais fortemente desde o ano 2.000 há uma educação intercultural bilíngue em muitas línguas ameríndias em todas as regiões do país. Hoje cerca de 30 licenciaturas interculturais das universidades formam professores para estas escolas, uma sistemática totalmente inexistente antes de 1988. Isso acontece também com a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), oficial em nível federal e que conta com a primeira licenciatura em Letras-Língua de Sinais do mundo, coordenada pela Universidade Federal de Santa Catarina, mas em execução em 10 Instituições Federais de Ensino Superior.

Porém, isso não acontece ainda com as línguas de imigração, de modo que se diz que o direito linguístico no Brasil é heterogêneo, está em busca de se afirmar como um direito geral da cidadania. A Cooficialização de Línguas em Nível Municipal e o Inventário Nacional da Diversidade Linguística são modos de gestão que ampliam as possibilidades para o ensino formal das línguas.

Como a oficialização de outras línguas pode ser fator determinante para uma população, como aconteceu com a cooficialização do Nheengatu, o Tukano e Baniwa em São Gabriel da Cachoeira (AM)? E como está a questão dos Pomeranos? (presentes em cinco estados brasileiros)

São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, é a região mais plurilíngue das Américas: uma região de 112 mil km2 onde se falam 25 diferentes línguas, de 5 famílias linguísticas diferentes. É lá que nasceu a política de cooficialização, em 2002. Seguiu-se a cooficialização nos municípios pomeranos do estado do Espírito Santo, em 2009, criando a sistemática de que também as línguas de imigração, e não somente as indígenas, podem ser cooficiais.

A partir daí uma série de municípios em todas as regiões do Brasil, com exceção do Nordeste, que é a mais monolíngue das regiões, cooficializaram as línguas talian, guarani, akwén-xerente, makuxi, wapixana, hunsrückisch e alemão (Hochdeutsch). Hoje são 16 municípios com línguas cooficiais ao português, de um total com potencial de oficialização de línguas que estimamos em mais 90, o que já se configura num movimento social que avança com suas próprias forças.

A oficialização de línguas têm três fases: 1) a declaratória da cooficialização, que é a lei da Câmara de Vereadores, 2) a regulamentação da lei, que é outra lei, feita posteriormente, depois de algumas audiências públicas específicas, e que aprofunda, delimita e detalha o que se entende por oficialização, e quais são as atuações que dela decorrem e, finalmente 3) a implementação da lei, momento em que se iniciam as ações concretas para a ampliação da presença e dos âmbitos de uso da língua cooficializada, sua preparação para novos usos, a formação de quadros, etc.

A cooficialização das línguas veiculares de São Gabriel da Cachoeira, feita em 2002 e regulamentada em 2006, possibilitou a criação, por parte da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), da primeira licenciatura de formação de professores do Brasil que não usa o português como língua de instrução, mas as três línguas cooficiais do município, cada uma dentro do seu respectivo território linguístico. Ensino e pesquisa ocorrem nas línguas, e o português entra como língua auxiliar, dada a vasta bibliografia a que dá acesso, de modo que este curso talvez tenha possibilitado a realização das primeiras pesquisas formais, acadêmicas, em línguas indígenas brasileiras, com as respectivas publicações monolíngues nas línguas cooficiais. Para maior detalhamento desta iniciativa sugiro a leitura do artigo O ensino superior indígena bilíngue: princípios para a autonomia e a valorização das línguas na região do Alto Rio Negro, Amazonas, de Ivani de Faria e de minha autoria, disponível na Revista Platô, do IILP, n.1.

Muitas outras iniciativas podem ser levadas a cabo justamente por causa do arcabouço jurídico novo, inaugurado pelas leis de cooficialização, que permite e fomenta que as pessoas se reconheçam e que vivam a sua vida de modo bilíngue ou plurilíngue.

O que o minicurso de formação de gestores de políticas linguísticas oferecerá aos inscritos?

O minicurso tentará expor a sistemática da cooficialização, a partir da experiência histórica que já temos, no sentido de ajudar os novos municípios que queira, também, cooficializar as suas línguas.Tratará de cada fase do processo, seus problemas e metodologias, e também dos instrumentos que podem ser usados para compreender bem a presença e a circulação das línguas no município, como os levantamentos, os diagnósticos, os censos e os inventários linguísticos, instrumentos estes que o IPOL foi construindo e aprimorando nestes anos de assessoria a vários contextos, e que foram recentemente objeto da tese de doutorado de Ana Paula Seiffert, no Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFSC. Esperamos que seja uma oportunidade de diálogo com os interessados e, claro, que a sistemática da cooficialização de línguas possa se estender ainda mais por novos municípios.

Na Galiza luta-se para manter o uso e a disseminação do galego, ao mesmo tempo que tenta-se a reaproximação com a Lusofonia. Como as experiências brasileiras podem ajudar nesse processo?

É importante que possamos intercambiar experiências das tecnologias sociais para o fomento do multilinguismo societário, nesta época de grandes mudanças por que passamos. A Galiza tem muito a ensinar ao Brasil, e vice-versa. A Galiza desenvolveu, por exemplo, sistemáticas importantes para o acompanhamento da evolução demolinguística dos falantes que seriam muito úteis para o caso das línguas brasileiras. No Brasil, por outro lado, creio que há uma multiplicidade tão grande de soluções flexíveis para a gestão do multilinguismo, embora ela seja ainda incipiente, que poderia ajudar a Galiza a solucionar impasses que já são discutidos naquele contexto há muito tempo.

Por favor, fale um pouco sobre o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL).

O IPOL é um Instituto especializado na gestão de línguas e políticas linguísticas no Brasil tais como Educação Bilíngue, Direitos Linguísticos, Diagnósticos Sociolinguísticos, Censos e Inventários Linguísticos, Provas para Concursos Públicos em línguas minoritárias brasileiras e Publicações nesta área especializada e afins.

É uma Instituição não-governamental que atua em variadas frentes de defesa e promoção de línguas ou grupos de línguas brasileiras. Foi criado em 1999, em Florianópolis, e desde então atuou, entre outros, no Projeto de Escolas Interculturais Bilíngues de Fronteira do Mercosul Educacional, nos projetos de cooficialização do nheengatu, tukano e baniwa em São Gabriel da Cachoeira, do pomerano em diversos municípios do Espírito Santo e do hunsrückisch em Antônio Carlos, Santa Catarina, no Inventário Nacional da Diversidade Linguística do IPHAN/Ministério da Cultura, tanto na proposição e desenvolvimento de concepções e instrumentos como no inventário da língua guarani mbya, no Observatório da Educação na Fronteira, da CAPES, atuando com escolas fronteriças entre o Brasil, a Bolívia e o Paraguai. Também produz, traduz e publica, em coeditoria, obras na área da Política Linguística para a formação de profissionais para atuação na área.

Atualmente desenvolve os inventários do hunsrückisch, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) com a Universidade Federal de Santa Catarina, a partir do programa do IPHAN/Ministério da Cultura, além de realizar o Censo Linguístico do Município de Antônio Carlos (SC), onde o hunsrückisch é cooficial, com recursos da FCC – Fundação Catarinense de Cultura.

Organiza, em setembro de 2015, o I Encontro Nacional dos Municípios Plurilíngues, em parceria com o Observatório de Políticas Linguísticas do CNPq/UFSC, oportunidade em que os municípios exporão as suas experiências, trocarão informações e discutirão com os 48 pesquisadores que apresentarão investigações realizadas ou em curso sobre a diversidade linguística do Brasil.

Em junho de 2016, o IPOL participa no coletivo institucional, liderado pela UFSC, que organiza o III CIPLOM – Congresso Internacional de Professores das Línguas Oficiais do MERCOSUL, também em Florianópolis, onde se espera cerca de 1.300 participantes dos países do bloco e dos observadores associados para a discussão sobre as Políticas de Gestão do Multilinguismo e a Integração Regional.

Conheça o pesquisador
Gilvan Müller de Oliveira. Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na área de Política Linguística e História da Língua Portuguesa, pesquisador e assessor internacional do IPOL – Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística, de Florianópolis. Foi Diretor Executivo do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa, da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com sede em Cabo Verde, de 2010 a 2014.

Concluiu o mestrado em linguística teórica, filosofia e história na Universidade de Konstanz, Alemanha, em 1990. Doutorou-se em 2004 pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com uma tese sobre a História da Língua Portuguesa no Brasil Meridional (1680-1828) e no seu pós-doutorado, na Universidade Autônoma Metropolitana Iztapalapa, no México, em 2010, estudou os processos de promoção e de internacionalização das línguas e o crescimento da demanda pelo Português como língua estrangeira (PLE).

Atuou na formulação e execução de políticas públicas na área das línguas, como a Política de Cooficialização de Línguas em Nível Municipal (PCLNM), a da criação do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL/IPHAN), para o reconhecimento das línguas brasileiras como patrimônio imaterial e a das Escolas Interculturais Bilíngues de Fronteira do Mercosul Educacional (PEIBF). Foi assessor na área de Educação Intercultural Bilíngue e formação de professores indígenas em vários estados brasileiros e atua hoje na Licenciatura em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) no Alto Rio Negro, a região mais multilíngue do Brasil.

Foi delegado brasileiro junto ao GTPL- Grupo de Trabalho de Política Linguística do Mercosul Educacional durante oito anos, e hoje representa a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) junto ao Núcleo PELSE – Português e Espanhol como Línguas Segundas e Estrangeiras e junto ao Programa de Políticas Linguísticas do Núcleo de Educação para a Integração (NEI) da Associação de Universidades do Grupo Montevidéu (AUGM).

Como Diretor Executivo do IILP, coordenou o processo de criação de projetos multilaterais para a promoção do português no âmbito da CPLP, como o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna (PPPLE) e o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), previsto no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90), além de coeditar a publicação científica do Instituto, a Revista Platô.

Com um currículo de palestras em 15 países e participação em várias missões oficiais do governo brasileiro e da CPLP, além de diversas publicações, dedica-se fundamentalmente a questões do plurilinguismo, da história e da promoção das línguas, à formação inicial e continuada de professores de línguas, em especial de língua portuguesa para atuação em contextos multilíngues.

domingo, 20 de setembro de 2015

Inicia nesta quarta o 1º Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues (1ºENMP)

Inicia nesta quarta o 1º Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues (1ºENMP)

Inicia nesta quarta, 23 de setembro, e vai até sexta, 25, o 1º Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues (1ºENMP), que será realizado no Centro de Comunicação e Expressão (CCE – térreo do Bloco B) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis-SC.


O 1ºENMP contará com mesas redondas, mesas temáticas, sessões coordenadas com a apresentação de comunicações orais, lançamento de livros, além da oferta de um minicurso para formação de gestores, docentes e pesquisadores de políticas linguísticas voltadas a contextos bi, multi ou plurilíngues e uma oficina tematizando o registro e a documentação de línguas, culminando com uma plenária para elaboração e assinatura da Carta dos Municípios Plurilíngues. Serão emitidos certificados para as participações no evento, assim como no minicurso e na oficina.

Participam do encontro gestores indicados por municípios bi, multi e plurilíngues e entidades de apoio, bem como pesquisadores e professores do multilinguismo brasileiro e dos países do Mercosul e demais blocos, além de estudantes de áreas afins, como pode ser conferido na programação (clique aqui para acessá-la).

As inscrições para o 1ºENMP continuam abertas para ouvintes. Saiba como se inscrever aqui.


O 1º Encontro Nacional de Municípios Plurilíngues (1ºENMP) é uma realização do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) em parceria com o Observatório de Políticas Linguísticas (GP CNPq/UFSC), o Macroprojeto ALMA-H (UFRGS), o Projeto Entrelínguas (UFSM) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e com apoio do Programa de Valorização das Línguas e Culturas Macuxi e Wapichana, do Fórum Permanente das Línguas Brasileiras de Imigração (Forlibi) e da Prefeitura Municipal de Antônio Carlos-SC.

Tem como objetivos apoiar e propiciar formação aos governos e instituições para atuarem de modo inovador e promissor na gestão das línguas e dos recursos que elas oferecem para qualificar a educação e as culturas; bem como abordar a gestão das línguas em nível municipal nesse quadro de cooficialização, considerando os aspectos para a regulamentação e implementação das leis e suas interfaces com educação, cultura, tecnologias e outras políticas que podem fomentar o desenvolvimento local e regional.

Para maiores informações acesse aqui a página do 1º ENMP e curta aqui sua página no Facebook.


Fonte: e-IPOL

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Projeto Histórias Bilíngue Alemão/Português atende 400 crianças em Blumenau-SC


Foto: Joseane Pitz Kock / Divulgação
Projeto Histórias Bilíngue atende 400 crianças

Em duas semanas, o projeto que leva histórias bilíngue aos bairros visitou quatro escolas na Região das Itoupavas, na cidade de Blumenau-SC.

O Projeto Histórias Bilíngue Alemão/Português, desenvolvido pela Fundação Cultural de Blumenau e Secretaria Municipal de Educação, passou nesta terça-feira, dia 1º/9, pela EBM Pedro I, Itoupava Central. Na quinta-feira, dia 3, é a vez da EIM Professora Ella Eichstadt, na Vila Itoupava, receber esta novidade que circula pela Região Norte da cidade desde o dia 17 de agosto. Já foram visitadas quatro escolas, contemplando uma média de 400 estudantes.

Apresentado no dia 7 de agosto, no Centro Cultural da Vila Itoupava, a iniciativa tem por objetivo desenvolver a contação de histórias nas línguas alemã e portuguesa nas escolas que disponibilizam na grade curricular a língua estrangeira. Idealizado e coordenado pela contadora de histórias Shirlei Dickmann, o projeto vai ao encontro dos objetivos da Fundação Cultural de Blumenau de descentralizar a cultura no município.

As professoras Berenice Rahn, Lílian Elena Wuegers, Rosemeli Zech Matias e Sueli Voelz também estão envolvidas na execução desse trabalho. O projeto piloto será desenvolvido inicialmente na Região Norte da cidade, mas em outro momento novas comunidades poderão receber a iniciativa.

Foto: Joseane Pitz Kock / Divulgação
Programação
Dia 3 - EIM Professora Ella Eichstadt, Vila Itoupava (matutino e vespertino)

Dia 4 - EBM Anita Garibaldi, Itoupava Central (matutino)

Dia 8 - EIM Dr. Blumenau, Itoupava Central (matutino e vespertino)

Dia 9 - EM Erich Klabunde, Vila Itoupava (matutino e vespertino)

Dia 11 - EBM Duque de Caxias, Itoupava Central (matutino)

Dia 14 - EBM Duque de Caxias, Itoupava Central (vespertino)

Dia 15 - EIM Willy Müller, Vila Itoupava (matutino e vespertino)

Dia 28 - EBM Pedro I (vespertino)

Assessor de Comunicação: Sérgio Antonello

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

1º Encontro Nacional dos Municípios Plurilíngues abre inscrições para monitoria

1º Encontro Nacional dos Municípios Plurilíngues abre inscrições para monitoria

Eduarda Hillebrandt*

O 1º Encontro Nacional dos Municípios Plurilíngues (ENMP), que ocorrerá entre os dias 23 e 25 de setembro, no térreo do Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está com inscrições abertas para monitoria. Alunos de graduação e pós-graduação interessados devem enviar email com nome, curso e número de matrícula para o endereço 1enmp2015@gmail.com , com cópia para evanesju@gmail.com . Monitores são isentados da taxa de inscrição, recebem certificado e camiseta.

O 1º ENMP propõe uma troca de experiências sobre a política de cooficialização das línguas no Brasil, além discutir o panorama, mapeamento e regulamentação da diversidade linguística no país. Desde a inciativa do município amazonense de São Gabriel da Cachoeira em 2002, que deu caráter cooficial a três línguas indígenas, 16 municípios brasileiros já cooficializaram línguas. Em Santa Catarina, a língua alemã em Pomerode e o dialeto germânico Hunsrückisch em Antônio Carlos tornaram-se cooficiais em 2010.

Realizado pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento de Política Linguística (IPOL) em parceria com a UFSC, o evento reunirá gestores municipais, líderes de associações culturais, pesquisadores e membros de comunidades linguísticas brasileiras. O encontro tem o apoio do Observatório de Políticas Linguísticas  da UFSC; do Macroprojeto ALMA-H, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e do Projeto Entrelínguas, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Mais informações no site do evento.

* Eduarda Hillebrandt é Estagiária de Jornalismo/Agecom/UFSC.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Livro escrito pelo alemão Max Humpl em 1918 ganha versão em português e resgata parte da história de Blumenau

Entre diários de família, correspondências e livros de receitas, vários manuscritos aguardam tradução - Foto: Rafaela Martins/Agência RBS).

Tesouro revisitado
Livro escrito pelo alemão Max Humpl em 1918 ganha versão em português e resgata parte da história de Blumenau

Manuscrito estava entre os documentos que aguardam tradução no Arquivo Histórico da cidade

Camila Iara

No início do século 20, Altona era um termo carinhoso usado para se referir a um bairro blumenauense que, mais tarde, seria batizado de Itoupava Seca. Conhecida na época pela independência econômica, principalmente no setor metalmecânico, em 1933 a região também emprestou o nome para uma das empresas mais tradicionais da cidade até hoje: a Electro Aço Altona. Quase cem anos depois, um livro viabilizado pela fábrica em parceria com o Fundo Municipal de Apoio à Cultura e a EdiFurb vai revisitar, através do olhar do professor alemão Max Humpl, a história das primeiras levas de imigrantes que desembarcaram no Vale do Itajaí. 

Escrita originalmente na grafia sütterlin, utilizada na Alemanha entre 1915 e 1970, a obra Crônica Do Vilarejo De Itoupava Seca: Altona desde a Origem até a Incorporação à Área Urbana de Blumenau será lançada nesta quarta-feira, 19/08. O manuscrito, finalizado em 1918, foi doado pela família Humpl ao Arquivo Histórico de Blumenau e acabou nas mãos da historiadora Méri Frotscher e do mestre em Letras Adriano Steffler, que fizeram a tradução — primeiro para o alemão contemporâneo e depois para o português — com a ajuda do alemão Johannes Kramer. 

— É um projeto realizado com muito carinho por uma equipe que tinha como objetivo fazer jus ao trabalho de Humpl, que não pôde ver a publicação em vida. Para nós é uma grande felicidade deixar à disposição tanto dos leigos quanto dos pesquisadores uma fonte tão histórica — comenta Méri.

Acompanhado de farto material fotográfico cedido pelo Arquivo Histórico — as  fotografias e aquarelas originais do manuscrito foram queimados no trágico incêndio que atingiu a Fundação Cultural em 1958 —, o livro mostra o surgimento da cidade por meio de fatos e curiosidades já esquecidos. 

Também fazem parte da crônica biografias e árvores genealógicas dos moradores, além de descrições vívidas da flora, fauna, geografia, política, religião, esporte e cultura de Altona.

— Estou no Arquivo Histórico há muitos anos e me incomodava ver aquele livro grande, de letra bonita, bem organizado e que eu não conseguia ler. A obra traduzida tem uma leitura agradável e nos mostra a Blumenau daquele tempo de uma forma muito precisa. O povo ganha uma preciosidade, e nós, pesquisadores, um novo olhar sobre aquela região e o processo de povoamento da cidade — diz Sueli Petry, diretora do departamento histórico e museológico da Fundação Cultural de Blumenau.

Manuscritos aguardam tradução no Arquivo Histórico
Além do material documentado pelo professor alemão Max Humpl em 1918, outras dezenas de arquivos nas grafias sütterlin e gótica dos séculos 19 e 20 estão à espera de tradução no Arquivo Histórico de Blumenau. Mas a demanda esbarra na falta de mão de obra especializada. Segundo Sueli Petry, diretora do departamento histórico e museológico da Fundação Cultural, não há nenhum tipo de projeto específico para viabilizar esse tipo de trabalho, é tudo feito no improviso:

— Hoje contamos apenas com voluntários que sabem ler e interpretar o alemão gótico e eventualmente se disponibilizam para ajudar o arquivo. São pessoas que deixam o lazer de lado para se dedicar à memória da cidade.

Entre os arquivos doados (e cuidadosamente guardados em uma gaveta na sala da própria Sueli), preciosidades como diários de família, antigas correspondências e até cadernos de receitas remontam a vida de quem habitou Blumenau naquela época. De acordo com Sylvio Zimmermann, presidente da Fundação Cultural, não há em vista a criação de um núcleo dedicado à captação de profissionais que possam viabilizar as traduções:

— Nossa missão é cada vez mais preservar e digitalizar os materiais. O ideal seria ter um programa só para isso, mas não é nossa prioridade agora. 

Vídeo: A historiadora Sueli Petry revela preciosidades e fala sobre a importância dos manuscritos em alemão para a história de Blumenau (assista abaixo ou clique aqui).


Escritor, professor de Letras da Furb e editor executivo de Crônica do Vilarejo..., Maicon Tenfen conta que já houve algumas tentativas, tanto de membros da universidade quanto da Fundação Cultural, de criar um projeto do tipo:

— Infelizmente, nenhum desses projetos vingou. Agora, graças a Méri Frotscher, podemos ler o texto de Max Humpl. É uma forma de entender como pensavam os primeiros habitantes da região, os pioneiros, o pessoal que projetou a cidade, com erros e acertos, para que ela fosse o que é hoje.

Crônica do vilarejo de Itoupava Seca: Altona desde a origem até a incorporação à área urbana de Blumenau
Autor: Max Humpl | Editora: EdiFurb

A Crônica de Max Humpl apresenta-nos uma narrativa sobre o cotidiano e o passado de Itoupava Seca - Altona, desde meados do século XIX até a sua finalização, em 1918, quando a localidade foi incorporada à área urbana de Blumenau. A tradução da versão manuscrita em língua alemã durante a Primeira Guerra Mundial, que jamais chegou a ser publicada, mostra um retrato vívido daquele tempo pretérito ao leitor, quase um século depois.
Categoria: Literatura
ISBN: 9788571142268
Páginas: 227
Medidas: 21,5x27,7 cm
Peso: 0.98 kg
Lançamento: 2015
R$ 60,00 Preço sugerido

terça-feira, 28 de julho de 2015

Aluna da UnB é primeira cigana a concluir doutorado na América Latina

Foto: Marcelo Jatobá/UnB Agência
Aluna da UnB é primeira cigana a concluir doutorado na América Latina

Paula Soria teve de deixar seu grupo, que preza a oralidade e rejeita a escrita, para estudar. Em sua tese, analisa os estigmas atribuídos aos romà na literatura

Marcela D´Alessandro - Da Secretaria de Comunicação da UnB

A tese de 330 páginas e a dissertação, de 112, foram pouco para preencher a necessidade e a vontade de estudar de Paula Soria. Agora doutora em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB), a pesquisadora, que pertence ao grupo romà – nomenclatura para ciganos, ratificada durante o I Congresso Mundial Romani, realizado na Inglaterra em 1971 –, espera que sua história seja exemplo para que outras romani possam trilhar trajetórias acadêmicas sem abandonarem seu povo.

Apesar dos obstáculos que teve de enfrentar para chegar ao título, Paula se prepara para continuar no caminho da pesquisa. "Tem muita coisa para escrever ainda. Meu desejo era começar e não parar nunca mais", afirma Paula, que já pensa em desenvolver outro trabalho, abordando estudos culturais, para aprofundar o tema pelo qual se diz apaixonada.

Oriunda de uma comunidade que valoriza a oralidade e rejeita a escrita, começou os estudos aos 10 anos de idade, quando teve a permissão de seus pais. O combinado era que ela, assim como as outras romani que ingressavam na escola, deixasse os livros para se casar, aos 15 anos. Seu casamento já estava arranjado, mas Paula tinha sede de aprender desde criança.

Para seguir com seu sonho, a menina teve de deixar a casa dos pais e a família romani – de quem pôde reaproximar-se e ganhar algum apoio só depois de muito tempo.  Nessa trajetória, contou com a ajuda de amigos e, posteriormente, do marido não-romà para seguir com os estudos. Terminou o ensino básico, o superior e se formou jornalista na Universidad Nacional Autónoma de Honduras (UNAH). Seguiu pela Argentina e, já no  Brasil, graduou-se no curso de Artes Cênicas da UnB.

"Na minha cultura tem muitos artistas e a gente acaba achando que tem que ser artista também", afirma a romani, com bom humor. "Mas eu sempre gostei de literatura e já na minha graduação comecei a buscar disciplinas nesse campo para entender um pouco mais daquele mundo que me fascinava desde pequena".

Paula Soria (à esquerda) e sua orientadora Sara Almarza - Foto: Marcelo Jatobá/UnB Agência.

No mestrado – realizado no Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB –, Paula analisou, entre outros, dois romances do rom argentino Jorge Nedich e discorreu sobre a influência das representações literárias na realidade étnica romani e de que forma validaram as imagens negativas sobre os romà; também abordou a dificuldade de ruptura com esses padrões estigmatizados.

No doutorado, deu sequência aos estudos e buscou obras de autores não-romà de diversas nacionalidades que tratavam dos romà com diferentes abordagens – a maioria delas, segundo a pesquisa, preconceituosas e estereotipadas – e livros de escritores romà contemporâneos. De acordo com Paula, estes tentavam desconstruir tais introjeções e construir uma nova identidade.

"Procurei privilegiar o olhar de dentro para fazer algo crítico, mostrar como os romàs pensam. E para que não houvesse tanto estranhamento, tentei fazer uma espécie de tradução do que os escritores apresentam e o que aquilo significa dentro da comunidade", explica Paula.

Sua orientadora nos dois trabalhos, Sara Almarza, diz que foi uma oportunidade de grande aprendizado em muitos assuntos. "Foi uma honra ter orientado essa pesquisa. Tenho 25 anos de Universidade de Brasília e este foi o trabalho de maior envergadura que já fiz", exclama, orgulhosa, a professora.

Paula Soria e a orientadora Sara Almarza mostram a bandeira romani após a defesa da tese no Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB - Foto: Arquivo pessoal.

Mulheres Romani – Paula Soria lembra que, em boa parte dos grupos, as mulheres ainda são minoria, subalternizadas pelas sociedades majoritárias e por uma cultura interna ainda patriarcal e sexista. "Elas têm que seguir o marido, obedecê-lo, trabalhar só com ele. Em grupos como o meu, as mulheres ainda têm que ir pras ruas ler mãos porque é uma tradição, mesmo que não precise. Então, aquela que consegue romper com tudo isso e ser escritora, traz uma voz muito diferente, de minoria dentro da minoria e que sobressai muitíssimo", analisa a romani que é a primeira mulher "cigana" a concluir o doutorado na América Latina.

Segundo sua pesquisa, antes dela houve um homem rom que também chegou ao título no Brasil e sua temática se referia à Biologia. Nos demais países da América Latina, não há registros de mulheres romani doutoras.

Em sua tese, Paula afirma que, mesmo não sendo maioria entre os escritores no mundo, não são escassas as escritoras romani que se aventuram a escrever poesias, contos e romances de grande literalidade e engajamento social.

"São elas que carregam consigo a responsabilidade de transmitir a cultura, a tradição e os costumes para as novas gerações e que hoje são, visivelmente, as principais protagonistas das mudanças no seio do grupo étnico".

Paula Soria pôde observar ainda que a literatura ou a escrita não representam perda de elementos intrínsecos ao âmbito da oralidade, enaltecida pelos romà, mas permite o resgate e o registro da memória étnica e possibilita o reconhecimento desse povo perante a sociedade.

"Tenho interesse que conheçam outros aspectos do meu povo, da existência da literatura romani, do seu significado no contexto étnico atual. Dialogo com várias questões relacionadas a estereótipos, preconceitos, estigmas e a invisibilidade e silenciamentos históricos, tentando provocar também uma espécie de transformação do pensamento do leitor de minha tese ou dos artigos que penso escrever em relação aos romà", conclui.

Fonte: UnB Agência

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Ensino do pomerano em escolas de Santa Maria de Jetibá (ES) é tema de reportagem na TV Brasil


Conheça o pomerano, idioma europeu falado no interior do Brasil

Em Santa Maria de Jetibá, município serrano do Espírito Santo, grande parte das escolas ensina a língua pomerana. A região foi colonizada por imigrantes que vieram da Pomerania, um território entre o nordeste da Alemanha e o noroeste da Polônia.

Para manter a cultura pomerana, além do ensino nas escolas, a língua é falada dentro de casa, entre os membros das famílias.

Assista à matéria do Repórter Brasil (ou clique aqui):


Fonte: EBC

domingo, 29 de março de 2015

Professor alemão ajudará a formar futuros docentes no idioma

Maristela Fritzen, Josha Nitzsche, Rita Rausch, Valéria Mailer e Nestor Freese (da esquerda para direita).

Professor alemão ajudará a formar futuros docentes no idioma

O curso de graduação em Letras – Língua Alemã da Universidade Regional de Blumenau ganhou um importante reforço até novembro deste ano. O professor Josha Nitzsche será assistente de língua alemã na FURB no curso vinculado ao Departamento de Letras do Centro de Ciências da Educação, Letras e Artes (CCEAL).

Josha Nitzsche é um dos nove assistentes selecionados na Alemanha que chegaram ao Brasil, em março, para atuar em cursos de bacharelado e licenciatura de universidades brasileiras (a maioria federais), aprovadas no Programa de Assistente de Ensino de Língua Alemã, desenvolvido em conjunto pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC) e pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD).

Ele já está atuando no curso e na terça-feira foi apresentado no CCEAL. A diretora Rita Buzzi Rausch deu as boas vindas a Josha Nitzsche e elogiou a inserção da FURB no programa, através do empenho dos professores Valéria Contrucci de Oliveira Mailer (coordenadora do curso de Alemão e coordenadora geral do programa na universidade) e Nestor Alberto Freese (coordenador-adjunto). “A vinda dele é importante e significativa, pois vem ao encontro de nossas ações de internacionalização do CCEAL”, afirma a diretora, que também convidou para o encontro a coordenadora do Programa de Pós-Graduação (Mestrado em Educação), a professora Maristela Pereira Fritzen, que já tem projetos de pesquisa sobre o idioma.

O projeto aprovado pela FURB no convênio CAPES/DAAD visa qualificar a formação docente inicial e continuada em língua alemã no curso de graduação, no centro de idiomas (FURB Idiomas) e nas atividades de extensão da Universidade (nas escolas que são campo de estágio). A meta, segundo a coordenadora, também é dar visibilidade à língua tanto no meio acadêmico como fora dele, agora com o apoio do German Teaching Assistant (GTA), conforme edital (14/2014) do Programa de Assistente em Língua Alemã para Projetos Institucionais.

A professora Valéria Mailer explica que uma das razões para o estabelecimento destas parcerias com a Alemanha está na história de Blumenau. “Os alemães que aqui chegaram em 1850 contribuíram para a organização social de muitas das cidades que hoje compõem o Vale do Itajaí. Contudo, com a repressão de 1937, na campanha de nacionalização do governo Vargas, a língua alemã foi expulsa da zona urbana e perdeu o vínculo com a escrita, passando a existir somente na oralidade”.

A volta da língua aos currículos escolares no ensino fundamental e médio requer profissional habilitado que dê conta do ensino já nas séries iniciais. Em Blumenau há 20 escolas municipais, segundo dados da Secretaria de Educação, que tem o ensino alemão desde o quarto ano do ensino fundamental. A cidade de Pomerode conta com duas escolas municipais bilíngues alemão/português. Também escolas de Indaial e Jaraguá valorizam a língua do lar dos alunos que chegam na escola, contribuindo agora no letramento bilíngue das crianças.

– Mas, levando-se em conta o número de universidades que formam licenciados em língua alemã, fica fácil entender o baixo número de atuantes no ensino do idioma nas escolas. Dos formados em Florianópolis (UFSC), são raros os que optam por atuar no Vale do Itajaí, mesmo com a alta demanda. A FURB é, portanto, a maior responsável pela formação de professores da região desde o surgimento do curso em 2009, diz Mailer.

No curso de licenciatura em Língua Alemã da FURB o assistente fortalecerá o aprimoramento da oralidade, compreensão, leitura e escrita dos acadêmicos aprendizes de alemão como língua estrangeira (LE) e da leitura e escrita dos acadêmicos falantes da língua, que cursam alemão como segunda língua (SL).

O assistente também abordará questões culturais, sociais e históricas da Alemanha nas disciplinas do curso, a fim de confrontar e até mesmo desmitificar o imaginário local sobre o país, que muitos só conhecem pela descrição familiar, no que se denomina educar para a interculturalidade.

Quem é Josha Nitzsche
Ele tem 33 anos e vai acompanhar os professores nas aulas e nos estágios para incrementar questões linguísticas e culturais, durante 20 horas/aula semanais. Vem da cidade de Bonn, na Alemanha, e estudou o Alemão como língua estrangeira, específico para quem vai dar aula para alunos do idioma. Ele fez Germanística (um curso mais genérico) e um ano de especialização em Alemão como Língua Estrangeira. A formação dele é equivalente ao mestrado.

Será a primeira experiência docente de Nitzsche, em especial no exterior. Está bem motivado. Pela primeira vez no Brasil, Josha estava disposto a ocupar qualquer vaga em universidades da América Latina, quando se inscreveu no DAAD. Mas deu preferência para o Brasil (com 11 vagas) quando concorreu com quase 50 candidatos, por ouvir falar bastante dos brasileiros durante a Copa do Mundo de Futebol de 2014. Não fala português nem espanhol, mas já arrisca algumas palavras em português, idioma pouco falado na Alemanha, o que lhe deu vantagem na entrevista ao manifestar interesse pela América Latina.

Universidades selecionadas
As instituições que receberam os profissionais são: Universidade Federal de Pelotas (UFPel, Pelotas/RS), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal Fluminense (UFF, Niterói/RJ), Universidade Federal do Ceará (UFC, Fortaleza/CE), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, Belo Horizonte/MG), Universidade Estadual do Piauí (UESPI, Teresina/PI), Universidade Regional de Blumenau (FURB, SC), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, Itabuna/BA) e Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET, Rio de Janeiro/RJ).

O programa prevê benefícios para os assistentes, tais como passagem aérea, curso de integração e língua portuguesa de um mês, bolsa com duração de até 10 meses e seguro-saúde.

Fonte: FURB